Deputado ucraniano retira nomeação de Trump ao Nobel da Paz: “Perdi a fé na sua capacidade de alcançar um cessar-fogo”

A nomeação de Donald Trump ao Prémio Nobel da Paz foi oficialmente retirada por um destacado deputado ucraniano, após o presidente norte-americano ter, segundo este, falhado em reagir adequadamente à recente intensificação dos ataques russos contra a Ucrânia.

Pedro Gonçalves
Junho 24, 2025
12:11

Oleksandr Merezhko, presidente da comissão parlamentar de Negócios Estrangeiros da Ucrânia, explicou à Newsweek, esta terça-feira, que decidiu retirar a sua proposta de nomeação por já não acreditar que Trump tenha capacidade para conseguir um cessar-fogo entre a Rússia e a Ucrânia. “Perdi qualquer tipo de fé e confiança na capacidade de Trump para alcançar um cessar-fogo”, afirmou.

Segundo Merezhko, Trump revelou “praticamente nenhuma reação” aos ataques de grande escala sobre Kiev nas últimas semanas. “Ele escolheu o caminho da apaziguação”, acusou. A retirada formal da candidatura foi submetida na manhã de segunda-feira.

Trump regressou à Casa Branca em janeiro com a promessa de pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia em apenas 24 horas. Contudo, Moscovo prosseguiu nas últimas semanas uma vaga de ataques devastadores contra o território ucraniano, enquanto as negociações para um cessar-fogo continuam bloqueadas.

Este episódio surge num contexto internacional tenso e, ainda que perca uma nomeação ao prémio, trump já tinha outra ‘em caixa’ (mas também em risco). No domingo, o Paquistão, que tinha anunciado no dia anterior a nomeação de Trump para o Nobel da Paz pelo seu papel na mediação de um cessar-fogo entre o Paquistão e a Índia, condenou publicamente os recentes ataques norte-americanos contra infraestruturas nucleares iranianas. “O Paquistão condena os ataques dos EUA às instalações nucleares do Irão, que se seguem a uma série de ataques por parte de Israel. Estamos profundamente preocupados com uma possível escalada adicional de tensões na região”, referiu o Ministério dos Negócios Estrangeiros paquistanês em comunicado. Islamabad manifestou ainda o seu apoio ao direito do Irão de retaliar em legítima defesa e alertou para “implicações gravemente danosas para a região e para além dela”.

O governo paquistanês, ao justificar a nomeação de Trump no sábado, tinha elogiado a sua “intervenção diplomática decisiva e liderança fundamental” durante a recente crise indo-paquistanesa, esperando que o presidente norte-americano pudesse igualmente contribuir para resolver outros conflitos no Médio Oriente, como a crise humanitária em Gaza e a escalada de tensão com o Irão.

Trump, que já antes lamentara não ter recebido um Nobel da Paz no seu primeiro mandato, voltou a queixar-se na rede Truth Social no passado dia 20 de junho: “Não, não vou receber um Prémio Nobel da Paz, independentemente do que eu faça, seja na Rússia/Ucrânia, seja em Israel/Irão, seja qual for o resultado, mas o povo sabe, e isso é tudo o que importa para mim!”, escreveu o presidente norte-americano.

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