Deputado de extrema-direita acusado de fazer saudação nazi no parlamento alemão enfrenta até três anos de prisão

A Procuradoria-Geral de Berlim apresentou acusações formais contra Matthias Moosdorf, deputado do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), por alegadamente ter feito uma saudação nazi no interior do Bundestag, o parlamento alemão.

Pedro Zagacho Gonçalves

A Procuradoria-Geral de Berlim apresentou acusações formais contra Matthias Moosdorf, deputado do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), por alegadamente ter feito uma saudação nazi no interior do Bundestag, o parlamento alemão. O gesto é considerado um símbolo anticonstitucional na Alemanha e pode resultar numa pena de prisão até três anos, caso o tribunal considere provados os factos.

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Os acontecimentos remontam a junho de 2023, durante um dia de sessão plenária. Segundo o Ministério Público, o episódio ocorreu numa zona de acesso ao edifício do Reichstag, mais concretamente no guarda-roupa de uma das entradas, onde Moosdorf terá cumprimentado um colega do mesmo partido com “um bater de calcanhares e uma saudação hitleriana”. A acusação sublinha que o deputado estava consciente de que o gesto podia ser observado por terceiros presentes no local.

Num comunicado citado pela acusação, a Procuradoria refere que Moosdorf “devia estar consciente, ao realizar o gesto associado ao proibido Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, de que poderia ser visto por outras pessoas que se encontravam na zona de entrada”. O uso de símbolos, gestos ou slogans ligados ao regime nazi é criminalizado na Alemanha, tendo em conta o passado histórico do país.

Matthias Moosdorf, de 60 anos, foi eleito pelo círculo eleitoral de Zwickau, no estado federado da Saxónia. Até ao momento, o deputado tem rejeitado as acusações, classificando-as como “absurdas”. Ainda assim, em outubro de 2025, o Bundestag decidiu levantar a sua imunidade parlamentar, permitindo o avanço do processo judicial.

O caso será agora analisado pelo tribunal distrital de Tiergarten, em Berlim, que terá de decidir se aceita a acusação e abre formalmente um julgamento. Se vier a ser condenado, Moosdorf poderá ser punido com uma multa ou com uma pena de prisão que pode ir até três anos.

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Este não é o único episódio polémico associado ao deputado. Moosdorf esteve também envolvido numa controvérsia recente devido a uma viagem à Rússia realizada sem autorização do partido. Na sequência desse caso, foi condenado, em setembro, ao pagamento de uma multa interna de 2.000 euros. O deputado foi igualmente porta-voz de política externa da AfD no Bundestag.

O processo agora em curso insere-se num contexto mais amplo de escrutínio judicial sobre membros da AfD por utilização de símbolos ou linguagem associados ao nazismo. Um dos casos mais conhecidos envolve Björn Höcke, uma das figuras mais influentes da ala mais radical do partido, que foi condenado ao pagamento de uma multa por ter utilizado o slogan nazi “Tudo pela Alemanha” durante um comício político.

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