Depois dos EUA anunciarem saída, NATO discute tratado dos “Céus Abertos”

Os enviados da Organização para o Tratado do Atlântico Norte (NATO) discutem esta sexta-feira o futuro do Regime de Céu Aberto, de 1992, depois de os Estados Unidos terem anunciado a saída do pacto de 35 países que permite voos de vigilância desarmados sobre os países membros. A informação foi avançada por um funcionário da aliança de defesa e citado pela agência ‘Reuters’.

Recorde-se que os Estados Unido anunciaram na quinta-feira a saída oficial do tratado, alegando que a Rússia, um dos países membros, violou várias vezes os termos do acordo, o que faz com que dentro de seis meses o país norte-americano deixe de fazer parte da aliança.

Esta decisão dos EUA aprofunda as dúvidas sobre se Washington vai tentar prolongar o novo acordo ‘START’ de 2010, que estabelece limites de 1.550 armas nucleares estratégicas para a Rússia e para os Estados Unidos, cujo prazo expira em Fevereiro.

Aliados dos EUA na NATO pressionaram Washington para que não abandonasse o tratado de Regime de Céu Aberto, cujos sobrevoos desarmados visam aumentar a confiança e fornecer aos países membros um aviso prévio de ataques militares inesperados, alertando contudo a Europa para se preparar uma possível saída do país, tal como a ‘Executive Digest’ avançou na altura.

O grupo considera que mesmo com a saída dos EUA, os aliados da NATO devem continuar no acordo, observando que os estados europeus realizam 55% dos voos e estão sujeitos a quase 59% dos sobrevoos russos. Os estados europeus não têm a capacidade de vigilância por satélite dos EUA, por isso são particularmente dependentes de voos em regime de céu aberto.

«A retirada dos Estados Unidos deste tratado significa não apenas um golpe para a fundação da segurança europeia, mas também para os mecanismos militares de segurança e para os interesses essenciais dos próprios aliados dos Estados Unidos», reagiu, horas depois, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Alexandre Grouchko.

Após esta reacção de Moscovo, o Presidente Donald Trump admitiu que os Estados Unidos pudessem reconsiderar a decisão de sair do tratado, desde que a Rússia cumpra o estabelecido.

«A Rússia não cumpriu o tratado. Por isso, até que eles o cumpram, nós manteremos a decisão de sair. Mas há boas hipóteses de podermos fazer um novo acordo ou fazer alguma coisa para o recuperar», disse Trump aos jornalistas.

«O que eu acho que vai acontecer é que vamos sair e eles (os russos) vão querer voltar e fazer um acordo», explicou o Presidente norte-americano.

O anúncio de retirada dos Estados Unidos prejudica as relações com a Rússia e deixou um rasto de desconforto em alguns membros do Congresso norte-americano e com alguns aliados europeus, que beneficiam das imagens obtidas pelos voos do Céus Abertos.

A administração norte-americana justificou a decisão de abandonar o Tratado de Céus Abertos (Treaty on Open Skies, em inglês) pelo facto de a Rússia estar a violar o tratado, para além de argumentar que imagens recolhidas durante os voos podem ser obtidas mais rapidamente e com menos custos através dos satélites comerciais norte-americanos.

No entanto, a retirada de Washington deste tratado destinado a promover a confiança mútua entre os países signatários e evitar conflitos, deverá agravar as relações com Moscovo e suscitar críticas dos aliados europeus e de alguns membros do Congresso.

Em 1955, o então Presidente dos EUA, Dwight Eisenhower, propôs que os EUA e a antiga União Soviética permitissem voos de reconhecimento aéreo mútuos nos respectivos territórios.

Moscovo rejeitou inicialmente a ideia, mas o ex-Presidente George H. W. Bush retomou a proposta em maio de 1989, e o tratado entrou em vigor em Janeiro de 2002.

Actualmente, 34 países assinaram o tratado, enquanto o Cazaquistão também se comprometeu com projecto mas optou por não o ratificar até ao momento.

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