Denúncia de nepotismo e clientelismo leva MP a investigar autarquia liderada pelo Chega

Existência do inquérito foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República à revista. “Confirma-se a existência de inquérito, o qual se encontra em investigação”, afirmou fonte oficial da PGR

Revista de Imprensa

O Ministério Público abriu um inquérito às nomeações feitas na Câmara Municipal de Albufeira, liderada por Rui Cristina, eleito pelo Chega, avança a ‘Sábado‘. Em causa estão suspeitas relacionadas com a contratação da irmã do presidente para funções de adjunta e com a nomeação de vários candidatos autárquicos do partido para cargos de chefia em divisões municipais.

A existência do inquérito foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República à revista. “Confirma-se a existência de inquérito, o qual se encontra em investigação”, afirmou fonte oficial da PGR.

Queixa fala em ‘nepotismo’ e ‘clientelismo’

O caso teve origem numa queixa apresentada por José Gracias Fernandes, antigo funcionário da Câmara de Albufeira e ex-engenheiro do Departamento de Infraestruturas e Serviços Urbanos. Na denúncia, assinada a 9 de fevereiro, são apontados alegados casos de “nepotismo” e “clientelismo na nomeação de novos quadros dirigentes”.

Na queixa, a que a ‘Sábado’ teve acesso, o antigo funcionário acusa o executivo autárquico de ter praticado, em menos de quatro meses, vários atos de alegada “violação da lei, abuso de poder e nepotismo”, desrespeitando a dignidade profissional dos funcionários e o interesse público.

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Irmã do presidente e candidatos do Chega entre os casos referidos

A nomeação mais mediática referida na denúncia é a de Sara Cristina, irmã do presidente da Câmara, para o cargo de adjunta. Sara Cristina chegou à autarquia em regime de mobilidade, proveniente da Câmara de Loulé, onde exercia funções como técnica superior.

Entre os restantes casos mencionados estão a contratação de Hugo Aires, deputado municipal do Chega em Albufeira, para chefiar o Departamento de Projetos e Edifícios Municipais, e de Andreia Cópio, candidata do Chega à Câmara de Albufeira, para liderar a Divisão de Águas e Saneamento.

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Segundo o queixoso, a autarquia terá terminado com comissões de serviço de técnicos para os substituir por pessoas ligadas ao partido ou próximas do autarca. José Gracias Fernandes afirma que, depois de inicialmente ter dado “o benefício da dúvida” ao novo executivo, começou a receber telefonemas de funcionários a relatar a forma como estavam a ser tratados.

Ex-funcionário fala em “cultura de medo”

A denúncia refere ainda outros nomes que terão chegado à Câmara de Albufeira em regime de mobilidade a partir de Loulé, concelho de origem de Rui Cristina. Entre eles estão Mara Brito, para a Divisão de Gestão Urbanística, e Eunice Miriam Antunes, para a Divisão de Procedimentos Urbanísticos e Apoio ao Investidor.

José Gracias Fernandes acusa o executivo de ter substituído técnicos por militantes e “amigos” do autarca, alegando que alguns funcionários terão sido retirados de funções em ambiente de intimidação. Na queixa, o antigo funcionário fala ainda em “ações de intimidação dos quadros superiores” e numa “cultura de medo e da subserviência” entre trabalhadores municipais.

O inquérito encontra-se em investigação, não havendo, para já, conclusões públicas sobre as suspeitas denunciadas.

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