Democracia em Portugal divide opiniões: Sondagem revela empate entre satisfeitos e insatisfeitos, 52 anos após o 25 de Abril

Uma nova sondagem sobre a perceção dos portugueses relativamente à democracia revela um país profundamente dividido quanto ao funcionamento do regime, embora a maioria continue a considerá-lo a melhor forma de governo.

Executive Digest

Uma nova sondagem sobre a perceção dos portugueses relativamente à democracia revela um país profundamente dividido quanto ao funcionamento do regime, embora a maioria continue a considerá-lo a melhor forma de governo. Os dados apontam para um equilíbrio quase absoluto entre avaliações positivas e negativas, num contexto em que corrupção e extremismo político surgem como as maiores ameaças.

De acordo com a CNN Portugal, que divulga os resultados do inquérito “O 25 de Abril e a Democracia Portuguesa”, 40,4% dos inquiridos dizem estar pouco satisfeitos com o funcionamento da democracia e 8,9% afirmam estar nada satisfeitos. Em sentido oposto, 41,6% declaram-se muito satisfeitos e 5,7% muitíssimo satisfeitos, evidenciando um empate técnico entre perceções positivas e negativas.

Corrupção e extremismo no topo das preocupações
Entre os principais riscos identificados pelos portugueses, a corrupção lidera destacadamente, sendo apontada por 41,8% dos inquiridos como a maior ameaça ao regime democrático. Logo a seguir surgem os extremismos políticos, referidos por 40,1%. A desinformação e a propagação de notícias falsas também preocupam uma fatia significativa da população (20,1%).

Outros fatores apontados incluem as desigualdades sociais (17,3%), a falta de educação cívica (14,8%) e a crise económica (14,7%). A abstenção eleitoral, embora relevante, surge com menor peso, sendo identificada por 9,5% dos participantes como um risco para a democracia.

Avaliação positiva do legado do 25 de Abril
Apesar das críticas ao funcionamento atual, os portugueses reconhecem amplamente os impactos positivos da Revolução de Abril. A liberdade e os direitos são a área mais valorizada, com 76,8% dos inquiridos a considerarem que houve mudanças muito positivas neste domínio.

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Também a democracia política (69,7%), a educação (67,9%), o desenvolvimento do país (66,6%) e as condições de vida (66,3%) recebem avaliações muito favoráveis. As relações laborais são igualmente vistas de forma positiva por 65,3% dos participantes. A economia, embora com uma avaliação mais moderada, continua a reunir uma maioria favorável, com 55,1% a reconhecerem melhorias significativas.

Democracia mantém apoio esmagador
Mesmo com críticas ao seu funcionamento, a democracia continua a ser amplamente preferida face a qualquer outro regime político. Segundo a sondagem, 57% dos inquiridos concordam totalmente que a democracia é o melhor sistema, enquanto 26,4% dizem concordar parcialmente. No total, mais de oito em cada dez portugueses manifestam uma posição favorável.

Apenas uma minoria rejeita esta ideia: 1,5% discorda parcialmente e 0,7% discorda totalmente, enquanto 10,9% mantêm uma posição neutra.

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Objetivos do 25 de Abril continuam claros para os portugueses
Quando questionados sobre os principais objetivos da Revolução de 25 de Abril de 1974, os portugueses apontam sobretudo a recuperação das liberdades e direitos, referida por 37,1% dos inquiridos. Muito próximo surge o derrube da ditadura de Salazar e Marcelo Caetano, indicado por 34,2%.

O estabelecimento da democracia é destacado por 14,8% como objetivo central, enquanto o fim da guerra colonial é referido por 11%. Já a melhoria das condições de vida aparece com menor expressão, sendo apontada por apenas 2,7%.

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