Delegação israelita no Cairo para discutir cessar-fogo de longa duração em Gaza e libertação de reféns

Uma delegação israelita encontra-se no Cairo desde doming para participar em novas rondas de negociações mediadas pelo Egipto e pelo Qatar, com o objetivo de alcançar um cessar-fogo duradouro com o Hamas e garantir a libertação dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza.

Pedro Gonçalves
Abril 22, 2025
9:16

Uma delegação israelita encontra-se no Cairo desde doming para participar em novas rondas de negociações mediadas pelo Egipto e pelo Qatar, com o objetivo de alcançar um cessar-fogo duradouro com o Hamas e garantir a libertação dos reféns ainda detidos na Faixa de Gaza. A informação foi avançada pelo jornal qatari Al-Araby Al-Jadeed e confirmada pela BBC.

Segundo os relatos, os mediadores apresentaram uma proposta abrangente que prevê uma trégua entre cinco e sete anos, o fim formal da guerra, a retirada total das forças israelitas da Faixa de Gaza e a libertação de todos os reféns israelitas em troca da libertação de prisioneiros palestinianos detidos em Israel.

Fontes citadas pela BBC, incluindo um alto responsável palestiniano familiarizado com o processo, não esclareceram se o acordo incluiria também a libertação de reféns não israelitas ainda em cativeiro — nomeadamente um tailandês e um nepalês que se crê estarem vivos, bem como os corpos de dois tailandeses e de um tanzaniano.

O Times of Israel já havia reportado no domingo que o Hamas estaria disposto a cessar todas as suas atividades militares, incluindo o fabrico de armamento e a escavação de túneis, como parte de um eventual cessar-fogo de longo prazo. Um diplomata árabe citado pelo mesmo jornal indicou que alguns responsáveis do Hamas demonstraram abertura para colocar todas as armas da organização num armazém vigiado, como forma de garantir o fim das hostilidades contra Israel.

Paralelamente, o grupo extremista que controla a Faixa de Gaza sinalizou estar disposto a abdicar da governação do território em favor de uma administração composta por tecnocratas palestinianos independentes — uma proposta alinhada com o plano egípcio para a fase pós-guerra.

Estas negociações surgem numa altura em que o Hamas rejeitou recentemente uma proposta israelita para um cessar-fogo parcial, mas reafirmou a sua disposição para discutir uma solução mais alargada que contemple o fim da guerra. Israel ainda não comentou oficialmente a nova proposta global apresentada pelos mediadores, mas espera-se a chegada de uma delegação de alto nível do Hamas ao Cairo nos próximos dias para prosseguir as conversações.

Entretanto, a operação militar israelita em Gaza prossegue. Segundo a agência de Defesa Civil controlada pelo Hamas, sete pessoas morreram em ataques aéreos recentes sobre várias zonas do território. “A ocupação lançou ataques violentos sobre a Cidade de Gaza e as localidades de Beit Lahiya, Beit Hanoun e Khan Younis, provocando a morte de sete civis”, declarou Mahmoud Bassal, porta-voz da agência, à agência AFP esta terça-feira, 22 de abril.

De acordo com a mesma fonte, quatro das vítimas morreram na zona de Al-Rimal, perto da Cidade de Gaza, duas em Al-Sabra (a oeste), e uma em Khan Younis. “A ocupação destruiu ainda mais de 10 habitações no leste da Cidade de Gaza e em Rafah”, acrescentou Bassal. Israel não comentou os ataques específicos, mas reitera que procura minimizar vítimas civis, acusando o Hamas de utilizar infraestruturas civis como escudos humanos, incluindo casas, hospitais, escolas e mesquitas.

O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, criticou duramente a atual condução da guerra, defendendo um aumento da intensidade das operações. “Se a luta não for intensificada, este governo não tem qualquer justificação para continuar a existir”, afirmou na segunda-feira ao canal israelita de direita Channel 14.

Recordando a trégua assinada em janeiro, Smotrich declarou: “Disse de forma inequívoca que voltaríamos ao combate de uma forma completamente diferente: com o objetivo de subjugar, derrotar e destruir o Hamas, conquistar a Faixa de Gaza e impor um controlo militar sobre ela.” Lamentou, no entanto, que essa estratégia não esteja a ser concretizada. “Penso que está na hora de carregar sobre Gaza. Se isso não acontecer, este governo não tem razão de ser”, concluiu.

Smotrich causou polémica ao afirmar que o regresso dos reféns, embora importante, “não é o mais importante”. Perante as críticas, acusou os seus detratores de quererem “silenciar a opinião mais justa e correta”.

Situação dos reféns e balanço da guerra
A primeira fase do acordo de trégua celebrado em janeiro resultou na libertação de 30 reféns por parte do Hamas — 20 civis israelitas, cinco soldados e cinco cidadãos tailandeses — além da entrega dos corpos de oito reféns israelitas assassinados. No entanto, as negociações para a segunda fase estagnaram depois de Israel tentar renegociar os termos, recusando-se a aceitar um fim permanente dos combates sem libertações adicionais. Com a recusa do Hamas, os combates foram retomados a 18 de março.

De acordo com dados atualizados, os grupos armados em Gaza ainda mantêm 59 reféns — dos quais se acredita que 24 estejam vivos e 35 tenham sido mortos — incluindo 58 pessoas raptadas durante o ataque de 7 de outubro de 2023.

Nessa data, militantes liderados pelo Hamas invadiram o sul de Israel a partir de Gaza, matando cerca de 1.200 pessoas e capturando 251 reféns, num ataque marcado por extrema violência, incluindo casos de violações e assassínios brutais.

Segundo o Ministério da Saúde da Faixa de Gaza, controlado pelo Hamas, mais de 50 mil pessoas terão morrido ou estão desaparecidas desde o início do conflito — um número que não pode ser verificado de forma independente e que não distingue entre civis e combatentes. Israel estima ter eliminado cerca de 20 mil combatentes em Gaza até janeiro, além de aproximadamente 1.600 militantes abatidos em solo israelita durante o ataque inicial. Desde então, as forças israelitas perderam 410 militares nas operações em Gaza e nas zonas fronteiriças.

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