“Deixem os peritos atuar”. Médicos e cientistas receiam quebra do índice de confiança nas vacinas e fazem apelo aos políticos

A comunidade médica acredita nos estudos científicos sobre a segurança e eficácia das vacinas contra a Covid-19, mas considera que todas as dúvidas inerentes diminuem a confiança da população nesta matéria, pedindo por isso aos políticos que deixem os peritos fazer o seu trabalho, avança o ‘Diário de Notícias’ (DN).

Segundo a mesma publicação, são já alguns os médicos e especialistas que reportam relatos de pessoas que manifestam esse medo em tomar a vacina da AstraZeneca – que tem estado envolta em sucessivas polémicas nos últimos dias – preferindo as alternativas. É o caso de Rui Nogueira, especialista em medicina geral e familiar, que falou ao jornal sobre a realidade vivida no Centro de Vacinação de Coimbra, onde esteve presente na quarta-feira.

«É evidente que estão preocupadas e como não têm – nem devem ter – dados para poder avaliar a situação têm medo. Perguntam que vacina vão tomar e, quando ouvem que é a da Pfizer, ficam tranquilas. E dizem: “Se fosse a da AstraZeneca não queria. E, no consultório, aconselham-se se devem vacinar-se. As pessoas já estavam desconfiadas e com as últimas notícias  a situação piorou», adianta o responsável.

As notícias a que se refere têm que ver com o facto de a Agência Europeia do Medicamento (EMA) ter descoberto uma «possível ligação» entre a vacina de Oxford e a formação de coágulos sanguíneos ou tromboembolismos, depois de um responsável do regulador ter confirmado essa situação. Ainda assim, garantem que os benefícios «continuam a superar os riscos».

Apesar desta garantia, segundo Carla Nunes, diretora da Escola Nacional de Saúde Pública, as pessoas vão tendo menos confiança nas vacinas e provavelmente aderir menos à sua toma. «Vai mexer na confiança das pessoas. Esperamos que na altura da decisão final decidam tomar a vacina. Haverá alguma alteração nos comportamentos, espero que seja uma situação pontual e que não leve a não se vacinarem», afirma citada pelo ‘DN’.

A responsável tem desenvolvido alguns estudos sobre a aceitação/rejeição das vacinas por parte dos portugueses e percebeu, pelos últimos inquéritos, que vai encontrar agora, com esta polémica, mais reações negativas à vacinação, precisamente pelo receio dos seus efeitos secundários.

Para tentar contrariar esta tendência de quebra de confiança na vacinação, Rui Nogueira faz um apelo aos políticos, para que deixem que os peritos e cientistas tomem as decisões sobre os medicamentos e não intervenham nessa matéria.

«Há uma intervenção política que não devia existir. Os políticos não sabem interpretar os dados científicos, como nós não sabemos interpretar a estratégia política. A nossa observação diária, os estudos científicos realizados e que são credíveis, levam-nos a prescrever medicamentos seguros», reitera o responsável citado pelo jornal.

O médico reforça: «Administramos uma vacina partindo do pressuposto de que vai evitar mortes. Os benefícios são indubitavelmente maiores do que as consequências negativas. Temos uma doença com uma elevada letalidade e as vacinas evitam mortes».

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