Deixa o caos reinar e depois reina no caos

Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati

Esta citação de Andy Grove demonstra bem o que os programas eleitorais fazem a nível económico, em quase todos os partidos. Sem cenários macroeconómicos, sem uma política fiscal para as empresas, sem um plano de simplificação administrativa de aumento da eficiência da administração pública, sem uma redução dos custos de contexto, sem … apenas medidas avulsas que nos atiram para os olhos como aumentar o salário mínimo (e agora o salário médio que já está na boca dos políticos). Criam o caos e deixam-no reinar, para reinar no caos. Mas no final (ou no início) está o crescimento da economia, dinamizada pelo aumento das exportações ou do consumo interno, do investimento directo estrangeiro ou da capitalização do tecido empresarial português. Ninguém bem sabe como este crescimento que alguns estimam mas não justificam, vai acontecer, mas tem de acontecer. E talvez não seja difícil, pois ainda estamos a recuperar para níveis abaixo do ano 2019, ano em que não havia pandemia. Quando a maior parte dos países europeus já recuperou para estes níveis ou vai recuperar em 2022. 

Sem empresas fortes e trabalhadores produtivos não se pode aumentar salários, pagar taxas e impostos, não ser subsidiodependente, aumentar as exportações, atrair e reter talento jovem ou menos jovens, inovar, não descapitalizar as empresas, não depender do estado para tudo e mais alguma coisa. Portanto acho que os políticos criam o cenário de “não ter cenário” na economia porque não querem; pois apenas querem falar do que os eleitores entendem – salários, apoios sociais, reformas e função pública – para lhes roubar o voto, sem justificar como a economia e as empresas vão sustentar tudo isto. Sem ter um plano “marshal” para a economia portuguesa que tanto precisa. O problema é que os empresários são iguais, com tanta vontade de agradar aos políticos, futuros governantes, não criticam e não clarificam o que necessitam do estado, que não são apoios, mas medidas estruturantes (não conjunturais) de médio prazo: uma legislação laboral que permita recrutar e despedir de forma responsável consoante os ciclos económicos ( o estado deve desempenhar o papel social de apoio aos necessitados para estimular o elevador social), que o estado deixe de ser empresário e aproveite de forma responsável o melhor da economia privada criando parcerias rentáveis para o mesmo (deixando-se de ideologias “balofas” e pensando no que é melhor para o cidadão e para o contribuinte pagador), que estimule o aumento dos salários consoante o aumento da produtividade, que baixe os impostos e elimine a grande parte das mais de 500 taxas que existem, que estimule a meritocracia e a eficiência na administração pública, que crie infraestruturas de apoio ao desenvolvimento das empresas, que crie mecanismos de certificação e desenvolvimento das lideranças empresariais, que estimule os programas de apoio à I&D e inovação, que faça com que a justiça funcione em termos rápidos e eficientes para todos, que erradique a corrupção, que estimule a capitalização das empresas através de benefícios fiscais aos lucros reinvestidos, que acabe com o objectivo de criar taxas liberatórias que afugentam os investidores, que crie um modelo de educação baseado no QI e no QE, que crie um sistema de vagas universitárias de acordo com as necessidades de médio prazo, que estimule a transição para uma economia verde na indústria pesada, que baixe os impostos sobre os combustíveis de forma a controlar (não a anular) a inflação e a especulação dos preços, que crie sistemas intermodais de transporte verdes, que avalie todos os investimentos públicos com critérios de ROI… e tantas mais sugestões que poderíamos fazer, mas se se resolvessem só estas questões, não haveria caos!


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