Defesa, tarifas, novos parceiros e fim da relação com EUA: UE prepara-se para ‘reviver’ 2020 com decisões históricas

União Europeia prepara-se para viver este ano “outro 2020” face à era de incerteza que está a arrancar que vai exigir “decisões sem precedentes” à semelhança do que ocorreu na pandemia da Covid-19, relatou esta segunda-feira a publicação espanhola ’20minutes’

Executive Digest

A União Europeia prepara-se para viver este ano “outro 2020” face à era de incerteza que está a arrancar que vai exigir “decisões sem precedentes” à semelhança do que ocorreu na pandemia da Covid-19, relatou esta segunda-feira a publicação espanhola ’20minutes’: Defesa, tarifas, procura de novos parceiros, competitividade, fim da relação com os EUA e reorientação da política climática são algumas das questões que exigem rapidez e agilidade da UE.

As tarifas já estão em vigor, num cenário de um possível choque económico e a sombra de uma recessão. “Temos de ouvir o mercado de ações”, pediram os ministros europeus, com Bruxelas a ativar a máquina com tarifas de entre 10 e 25% em resposta às medidas de Donald Trump. O ‘golpe’ não afeta todos os países por igual, mas a “resposta deve ser e será unida”, garantiu a Comissão.

“A União Europeia tem recursos económicos e comerciais para causar danos significativos aos EUA”, especialmente a certas empresas. Para os especialistas, se a resposta for firme, “não está de todo descartado que Trump reveja as tarifas”, sendo que a Alemanha será o país da UE mais afetado pelas tarifas americanas.

Portanto, “se os seus programas de incentivo ao investimento público não conseguirem mitigar as consequências, é bem provável que a Alemanha entre em recessão permanente”, apontou, o que vai gerar “um efeito de contágio” nas outras economias. A chave, lembraram as fontes da publicação espanhola, é que se a queda alemã for muito pronunciada, sendo o motor da UE, quase certamente produzirá “um efeito dominó” para os restantes Estados-membros.

Isso leva a uma rutura nos laços com Washington também na área de segurança e defesa. “Trata-se de autonomia estratégica”, apontaram os especialistas. O ponto de partida são os 800 mil milhões de euros que Bruxelas espera mobilizar com a ideia de tornar a UE mais independente no “novo mundo”, mas isso exigirá um papel muito ativo dos países, que representam mais de 80% dos cálculos da Comissão Europeia.

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Assim, a UE deve “acelerar acordos” com outros parceiros globais. O melhor exemplo é o pacto com o Mercosul, onde já existe um acordo político e que criará o maior espaço comercial do mundo. Bruxelas quer agora “discutir como posicionar a Europa numa mudança de paradigma no sistema de comércio global” diante de uma “clara mudança de paradigma”, explicou o comissário de Comércio, Maros Sefcovic. Neste ponto, Bruxelas assume que deve recorrer a outros parceiros, incluindo a Índia e a Noruega, além do caso altamente matizado da China. O gigante asiático não poderá “substituir” os Estados Unidos, mas vários países, incluindo Espanha, querem aproximar-se de Pequim.

Para ser mais rápida na tomada de decisões, a União precisa de se tornar “mais pragmática”. A Comissão Europeia pretende alcançar um melhor equilíbrio entre a transição ecológica e a competitividade económica. Num contexto marcado pela exclusão da Hungria — pela sua proximidade com a Rússia — as decisões estão a ser tomadas por 26 membros, permitindo um progresso mais ágil. Além disso, a Comissão procura combinar um forte apoio à Ucrânia com a resposta às necessidades internas dos cidadãos europeus.

O ano de 2020 serve como referência: a opção de recorrer à dívida comum está de volta à mesa na União Europeia, desta vez com o objetivo de financiar a defesa ou reforçar a competitividade, seguindo o modelo dos fundos Next Generation. O futuro Quadro Financeiro Plurianual (2028-2034) deve ser mais ambicioso e adaptado aos novos desafios, “embora, naturalmente, os números e os acordos ainda precisem ser finalizados, um processo que se prevê complicado”, concluem as fontes.

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