“Defesa já não é só estar na fronteira de Badajoz, é muito mais. Para ter Forças Armadas é preciso criar condições”, reforça Presidente da República

Marcelo Rebelo de Sousa exige consenso político para um reforço do Orçamento de Estado para os ramos militares

Francisco Laranjeira

Marcelo Rebelo de Sousa comentou a presença de António Guterres em Moscovo e Kiev, salientando a dificuldade da tarefa do secretário-geral das Nações Unidas no caminho pelo entendimento entre Putin e Zelensky.

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“O próprio secretário-geral foi cuidadoso e baixou as expectativas, dizendo que era difícil convencer Putin, que não era uma pessoa fácil. Mas persistiu com a ideia de ser possível abrir pelo menos alguns corredores humanitários. Como sabem, é dramático em certas zonas da Ucrânia. Vamos ver como fica depois do encontro com o presidente Zelensky, se a ideia tem ou não pernas para andar. Pensamos em Mariupol e em outras zonas muito sensíveis, com civis encurralados – há crianças que dizem que não veem a luz do dia há meses”, precisou o Presidente da República.

“Pelo menos por aí, vamos ver que passos vão ser dados. Nestas situações militares, há um jogo de palavras em que aquilo que se diz é para produzir efeitos para os vários lados e depois é preciso descontar um bocadinho. Mas, para já, sabia-se que ia ser um processo discreto, difícil e que exige muito do secretário-geral da ONU”, apontou, mostrando-se pouco impressionado com a escalada verbal de Moscovo. “Declarações deste genéro, como as feitas por Lavrov, são uma parada verbal que existiu em todas as guerras. Mas da parada à realidade, é preciso ver como a realidade comporta essa concretização”, revelou Marcelo.

O discurso de Marcelo Rebelo de Sousa, nas celebrações do 25 de Abril na Assembleia da República, reforçou a necessidade de um reforço de meios para a Defesa nacional. O Presidente da República sublinhou a sua expectativa. “O Orçamento para a Defesa é uma discussão em curso até daqui a um mês. O que disse é mais amplo. Vivemos um novo mundo, que pode ter um novo equilíbrio geopolítico. E nesse equilíbrio pode haver mudanças radicais. Se a Finlândia e a Suécia entrarem na NATO, isso é uma mudança radical. A Defesa já não é só estar na fronteira de Badajoz, é muito mais do que isso”, referiu, precisando:

“Se quero um consenso entre forças políticas, e concretizo o que deve ser discutido, em vez de alargar diminuo as hipóteses de convergência. Há duas questões: equipamentos compatíveis com as missões que estamos a cumprir ou operações diferentes que exigem mais meios, o que pede um esforço continuado. Mas há outra questão, a motivação das pessoas: os equipamentos são importantes mas as pessoas têm de ser motivadas, com condições apelativas para lá continuaram. Tem de haver condições de promoção e de perspetiva de carreira que é muito importante. Agora, se as promoções chegarem sistematicamente com um ano de atraso, entre outos casos… os portugueses têm de perceber que para ter Forças Armadas é preciso criar condições”, criticou.

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“As nossas forças estão em missões de paz, que são muito exigentes. Mas precisamos de ter as Forças Armadas prontas para quatro ou cinco meses é ter tudo preparado, com unidades do exército, se for necessário intervir, o possam fazer. E em número suficientes para não serem sempre os mesmos, como se tem passado na RCA (República Centro-Africana)”, finalizou Marcelo Rebelo de Sousa.

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