Num balanço divulgado esta quarta-feira, a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) diz que no último ano recebeu 343.310 contactos de consumidores e que o sector das telecomunicações se manteve o líder das reclamações.
Em 10 anos, as telecomunicações mereceram 539.313 relatos dos consumidores. A velocidade anunciada da Internet, o período de fidelização, a dupla facturação, as práticas comerciais desleais, a cobrança pela factura em papel e a dificuldade de cancelamento do contrato foram os principais motivos das queixas.
«O processo de migração para a TDT, com a actuação da ANACOM, a publicidade enganosa das operadoras e a deficiente estratégia de implementação do plano do apagão analógico lesou muitos milhares de consumidores. Em 2013, a Deco intentou uma acção colectiva contra a ANACOM. Até agora pouco ou nada mudou», escreve a associação, que exige maior protecção para o consumidor.
A DECO lembra igualmente que as vendas agressivas motivam cerca de 4.000 reclamações por ano e que «as práticas comerciais desleais porta-a-porta, pelo telefone e pela Internet foram uma constante ao longo destes 10 anos». «Acrescem problemas relativos à garantia dos bens e ao não cumprimento do prazo de livre resolução do contrato (14 dias)», que aponta para 325.396 reclamações recebidas entre 2010 e 2019.
O sector da energia, outros dos mais reclamados, recebeu 377.536 reclamações em 10 anos. «Embora, em 2015, 100 mil portugueses tenham conseguido, com o apoio da DECO, a devolução de cerca de 58 mil euros das cauções dos serviços públicos, as reclamações relativas à energia e água continuam», escreve a defesa do consumidor, que aponta sobretudo para a prescrição e consumos excessivos, dupla facturação, complexidade da factura e atraso no seu envio.
A DECO sublinha também que as denúncias relativas ao transporte aéreo aumentaram, recordando o «Caso Ryanair», que em Setembro de 2016 lesou milhares de passageiros que viram o seu voo cancelado. A associação representou os consumidores e conseguiu que recebessem a devida indemnização, num total de 35 mil euros.
«O constrangimento de voos e as práticas comerciais desleais demonstram que este sector permanecerá no ranking da próxima década», frisa a DECO, que exige mais protecção para os consumidores.
Também a falência das transportadoras áreas e dos prestadores de serviços turísticos e de lazer como, por exemplo, Marsans e Vida é Bela, «foi uma constante nos últimos anos», refere a Deco, acrescentando: «Dez anos passaram e, apesar das agências de viagens já terem um mecanismo de protecção, o certo é que os consumidores continuam desprotegidos em muitas outras situações de falência e encerramento de empresas». «A próxima década traz novos desafios. A Associação, como sempre, estará ao lado de cada consumidor, fazendo do seu problema a sua causa», garante.














