A Assembleia da República realiza esta quarta-feira um debate quinzenal com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, num horário excecionalmente antecipado para permitir que os trabalhos parlamentares terminem antes da estreia da seleção portuguesa no Campeonato do Mundo de futebol. A sessão, inicialmente prevista para as 15h00, foi reagendada para as 14h00, após entendimento entre todos os líderes parlamentares.
A alteração surge num dia particularmente preenchido na agenda política nacional. Além do tradicional debate quinzenal com o chefe do Governo, está igualmente previsto o debate preparatório do próximo Conselho Europeu. A conjugação das duas iniciativas parlamentares poderia prolongar os trabalhos para além do início da partida entre Portugal e a República Democrática do Congo, marcada para esta tarde, levando os grupos parlamentares a procurar uma solução consensual para evitar essa sobreposição.
O debate quinzenal tem habitualmente uma duração superior a duas horas, enquanto o debate sobre o Conselho Europeu acrescenta cerca de uma hora adicional aos trabalhos. Com o adiantamento da sessão, o objetivo passa por assegurar que deputados, membros do Governo e restantes participantes possam concluir a agenda parlamentar antes do apito inicial do encontro da seleção nacional.
A antecipação de horários parlamentares não constitui, contudo, uma novidade absoluta. Na própria quinta-feira, o plenário também deverá arrancar às 14h00 devido à discussão da reforma laboral, que se prevê prolongada. Da mesma forma, é frequente as sessões de sexta-feira começarem mais cedo quando estão agendadas votações extensas ou debates de maior duração.
A sessão desta quarta-feira terá ainda uma particularidade institucional relevante: o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar Branco, não estará presente no hemiciclo. O responsável encontra-se em Houston, nos Estados Unidos, para assistir ao primeiro jogo de Portugal no Mundial. Trata-se da primeira vez que uma das mais altas figuras do Estado acompanha presencialmente a estreia da seleção numa fase final desta competição, antecedendo mesmo a presença do primeiro-ministro e do Presidente da República.
A coincidência entre compromissos parlamentares e jogos da seleção nacional já gerou situações peculiares no passado. Um dos episódios mais recordados ocorreu durante o Campeonato do Mundo de 2010, quando uma reunião da Comissão de Educação e Ciência decorreu exatamente à mesma hora da estreia de Portugal frente à Costa do Marfim, na África do Sul.
Na altura, a reunião contou com a presença do então secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, e de vários deputados que manifestaram desagrado pela impossibilidade de acompanhar o encontro. Segundo foi relatado na época, o presidente da comissão, Luís Fagundes Duarte, tentou obter consenso para alterar o horário dos trabalhos, mas a proposta não reuniu apoio unânime.
Como alternativa improvisada, vários parlamentares foram acompanhando a partida através de uma televisão instalada junto às salas de comissão, deslocando-se alternadamente para assistir a alguns minutos do jogo. O encontro terminou sem golos, num empate a zero entre Portugal e a Costa do Marfim liderada por Didier Drogba, permitindo que os deputados não perdessem qualquer festejo, mas também sem evitar as críticas à coincidência entre a agenda política e um dos momentos mais aguardados pelos adeptos portugueses.



