De tarifas a crises regionais: 2026 será o ano da “prova de fogo” mundial com crescimento previsto de 2,6%

O início de 2026 traz desafios significativos para a economia mundial, mas também confirma a resiliência de vários mercados. Segundo o Risk Review 2026 da Coface, o crescimento global deverá atingir 2,6%, ligeiramente abaixo dos 2,8% registados em 2025, num contexto marcado por riscos geopolíticos, financeiros, sociais e climáticos persistentes.

André Manuel Mendes

O início de 2026 traz desafios significativos para a economia mundial, mas também confirma a resiliência de vários mercados. Segundo o Risk Review 2026 da Coface, o crescimento global deverá atingir 2,6%, ligeiramente abaixo dos 2,8% registados em 2025, num contexto marcado por riscos geopolíticos, financeiros, sociais e climáticos persistentes.

O relatório da Coface destaca que, até agora, foram feitas 7 alterações nas avaliações de risco país — incluindo 6 melhorias — e 9 alterações nas avaliações sectoriais, das quais 7 positivas.

O ano passado mostrou que, apesar da turbulência global e das incertezas tarifárias, o impacto económico foi inferior ao esperado. A Coface atribui este resultado à capacidade de adaptação das empresas, sobretudo as mais internacionalizadas, confirmando a globalização como um motor económico ainda robusto.

O novo ano começou sob forte pressão. Os riscos geopolíticos manifestaram-se em eventos na América Latina, Irão e Gronelândia, enquanto os riscos financeiros se intensificaram devido a elevados níveis de endividamento e taxas de juro persistentes.
Além disso, a política económica dos EUA e a ameaça de novos confrontos comerciais aumentam a incerteza global. Riscos sociais, políticos, sanitários e climáticos adicionam-se ao cenário complexo, especialmente na Europa.

Perspetivas regionais

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Apesar das pressões, o crescimento global mantém-se sólido, ainda que heterogéneo:

  • Estados Unidos: +2,2%, apoiado por consumo robusto, apesar do aumento de 15% nas falências empresariais no segundo semestre de 2025.
  • Zona Euro: +1%, impulsionado pela retoma alemã através de um grande plano de investimentos.
  • França: +0,9%, limitada pelo défice público persistente acima de 5% do PIB.
  • Europa Central: forte dinamismo liderado pela Polónia (+3,8%).
  • China: +4,4%, com abrandamento regional impactando o Sudeste Asiático de forma desigual.
  • Índia: +6,1%, confirmando o papel de motor global, apoiada por procura interna robusta e políticas públicas ativas.

No setor energético, o preço do Brent deverá recuar de 68 USD/barril em 2025 para cerca de 60 USD, com impacto neutro na inflação, mesmo diante de episódios de volatilidade geopolítica.

Comércio mundial supera expectativas

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Apesar das tensões tarifárias, o comércio global cresceu 3,9% em 2025, impulsionado por fortes importações nos EUA e pela reorganização das cadeias de valor, com o Vietname a destacar-se com um aumento de 43% nas importações norte-americanas. Para 2026, prevê-se um abrandamento gradual, acompanhado pela queda das tarifas de transporte marítimo e a possível reabertura de rotas tradicionais.

Melhorias e degradações de risco país

A Coface registou melhorias significativas em países como:

  • Chile (A4 → A3): investimento em cobre e energia e estabilidade institucional.
  • Polónia (A4 → A3): dinamismo do investimento com fundos europeus e consumo sólido.
  • Suécia (A3 → A2): mercado de trabalho e procura privada resilientes.
  • Chipre (A4 → A3): recorde no turismo e fundos europeus impulsionam a atividade.
  • Barbados (C → B): consolidação orçamental e redução da dívida.
  • Equador (D → C): recuperação após crise energética, com reformas fiscais e apoio do FMI.

Por outro lado, o Senegal (B → C) sofreu degradação devido a derrapagem fiscal e dívida insustentável, complicando negociações com o FMI.

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