De Putin a Musk, passando por Orbán: extrema-direita considera condenação de Le Pen “um golpe”

Líder do partido União Nacional, Marine le Pen, foi considerada culpada pela justiça francesa, esta segunda-feira, num caso de desvio de fundos europeus para pagar a assessores do seu partido no Parlamento Europeu

Francisco Laranjeira

De Vladimir Putin a Elon Musk, passando por grande parte da extrema-direita europeia, houve inúmeras vozes a levantar-se em defesa da ‘companheira’ Marine le Pen, após a sua condenação por desvio de fundos europeus a favor do seu partido.

Recorde-se que a líder do partido União Nacional, Marine Le Pen, foi considerada culpada pela justiça francesa, esta segunda-feira, num caso de desvio de fundos europeus para pagar a assessores do seu partido no Parlamento Europeu. A condenação resulta numa pena de quatro anos de prisão — dois dos quais em regime efetivo, podendo ser cumpridos com pulseira eletrónica —, uma multa de 100 mil euros e, com impacto político imediato, cinco anos de inelegibilidade para cargos públicos. Esta decisão significa que Le Pen estará impedida de concorrer às eleições presidenciais de 2027.



O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, foi um dos primeiros a reagir, salientando tratar-se de uma questão interna francesa, mas realçando que “cada vez mais capitais europeias estão a tomar o caminho da violação das normas democráticas”.

Nos EUA, Elon Musk utilizou a sua rede social ‘X’ para salientar que “quando a esquerda radical não vence com votos democráticos, eles abusam do sistema legal para prender oponentes”. “É um manual típico em todo o mundo”, observou.

Ainda mais direto, se possível, foi o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que postou um simples “Je suis Marine” nas redes sociais, em apoio à sua parceira no Parlamento Europeu, onde estão reunidos no grupo Patriotas.

O partido espanhol Vox não deixou de demonstrar o seu apoio à política francesa: Santiago Abascal garantiu que “não conseguirão silenciar a voz do povo francês”.

Entre os ‘Patriotas’ do Parlamento Europeu está também a Liga de Matteo Salvini, que lamentou que em França queiram “excluir” a sua aliada da vida política: “Aqueles que têm medo do julgamento dos eleitores muitas vezes encontram conforto no julgamento dos tribunais.”

Salvini, que vinculou esta decisão à desqualificação do candidato romeno pró-Rússia Calin Georgescu, considerou-a “uma declaração de guerra de Bruxelas” numa altura em que “os impulsos belicosos de Von der Leyen e Macron são assustadores”. ” Não seremos intimidados”, proclamou o ministro italiano.

Por sua vez, o líder da extrema-direita holandesa, Geert Wilders , afirmou-se “chocado” com “o veredicto incrivelmente duro”. “Acredito plenamente nela e estou confiante de que vencerá o recurso e se tornará presidente da França”, concluiu o presidente do Partido para a Liberdade (PVV).

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