A UNRWA, agência das Nações Unidas para os refugiados palestinianos, tem estado debaixo de fogo internacional devido às evidências de que a agência tinha 12 elementos que não só simpatizavam com o Hamas, mas tinham participado ativamente no massacre de 7 de outubro em Israel.
Em dezembro de 2023, Phillippe Lazzarini, diretor-geral da UNRWA, deixou duras cíticas aqueles que vinculavam sua agência aos interesses do Hamas. Um mês depois, a realidade é outra: o responsável demorou um mês para condenar os ataques de 7 de outubro, embora tenha sido rápido em desencadear outras questões: a UNRWA atribuiu a Israel a explosão de um foguete no hospital Al-Ahly, na cidade de Gaza, quando na realidade foi um erro no lançamento da Jihad Islâmica. Ao longo de diversos conflitos, ratificaram todos os números de feridos, mortos e deslocados que o Ministério da Saúde liderado pelo Hamas tem fornecido.
A simbiose entre a agência e o governo de Gaza era, em muitas ocasiões, absoluta, independentemente do facto de um grupo terrorista estar no Governo de Gaza. A UNRWA tem feito um excelente trabalho durante anos na canalização de fundos recebidos de países membros da ONU para criar escolas, hospitais, universidades e abrigos para civis de Gaza. Mas fez vista grossa quando foi promovido nas escolas o antissemitismo e os hospitais cheios de túneis de acesso para abrigar terroristas.
De acordo com o ‘Wall Street Journal’, entre professores, médicos e monitores de crianças, entre outros, havia 10% do pessoal da UNRWA que poderia estar ligado ao Hamas – o número subia para 23% quando se trata de trabalhadores do sexo masculino, ou seja, um em cada quatro trabalhadores humanitários do sexo masculino tinha uma ligação direta com o Hamas.
Toda a comunidade internacional estava ciente destas ligações entre a UNRWA e o Hamas. O escândalo levou dezenas de países, incluindo o maior doador (Estados Unidos), a congelarem as suas contribuições económicas – uma coisa é aplicar a doutrina do “mal necessário”, tão comum nas relações internacionais, e outra bem diferente é dar dinheiro a uma organização que tem entre as suas fileiras assassinos implacáveis capazes de matar idosos, crianças e qualquer pessoa que se pareça com um israelita.
Entre os participantes do massacre estão sete professores do ensino primário e secundário. Dois ensinavam matemática e outros dois ensinavam árabe: seis dos 12 participaram ativamente no assassinato de civis nas suas casas ou no festival Supernova. Outros dois ajudaram no sequestro de reféns, houve dois que transportaram centenas de vítimas para locais onde seriam torturadas e assassinadas, e os dois restantes ficaram encarregados de coordenar a logística necessária para um ataque desta magnitude.
Uma organização na qual os terroristas estão infiltrados a esse nível é, na prática, uma organização controlada pelo terror – a UNRWA nunca questionou as práticas do Hamas contra os civis de Gaza ao longo destes anos, nem se preocupou com o uso que os terroristas fizeram da situação dos refugiados que protegem.
O Ocidente enfrenta novo dilema moral, porque a verdade é que tanto os Estados Unidos como a União Europeia – assim como Israel e os países vizinhos – precisam da UNRWA para cuidar de centenas de milhares de refugiados, que lhes forneça abrigo, educação e lhes permita cuidados médicos. A questão internacional do momento é se pode haver uma organização neutra em Gaza que seja responsável apenas por cobrir as necessidades básicas enquanto o Hamas estiver no poder. Mas o tempo é um ‘inimigo’: a ONU deixou o monstro engordar e agora ninguém sabe o que fazer com ele.




