De inimigo declarado a aposta de Israel: o plano secreto que deixou Ahmadinejad em prisão domiciliária

Israel terá suportado parte das despesas de viagem e alojamento do antigo chefe de Estado iraniano, permitindo vários encontros no estrangeiro antes da ofensiva militar lançada a 28 de fevereiro

Francisco Laranjeira

Mahmoud Ahmadinejad, antigo presidente do Irão e uma das figuras mais conhecidas pela retórica hostil contra Israel, terá mantido contactos secretos com agentes israelitas para se posicionar como possível sucessor do regime iraniano, caso este fosse derrubado.

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Segundo o ’20 Minutos’, que cita uma investigação do ‘The New York Times’, Israel terá suportado parte das despesas de viagem e alojamento do antigo chefe de Estado iraniano, permitindo vários encontros no estrangeiro antes da ofensiva militar lançada a 28 de fevereiro.

O plano teria como objetivo preparar Ahmadinejad para assumir a liderança do país após uma eventual queda do regime. A operação contaria com o conhecimento dos Estados Unidos, embora vários aspetos permaneçam sem confirmação oficial e tenham sido recebidos com ceticismo por especialistas em assuntos iranianos.

No primeiro dia da ofensiva, um ataque israelita atingiu a zona da residência de Ahmadinejad. De acordo com as fontes citadas na investigação, a operação pretendia eliminar os elementos que vigiavam o antigo presidente e permitir a sua retirada.

O ataque matou os guarda-costas que se encontravam no local, destruiu o veículo blindado de Ahmadinejad e terá deixado o próprio antigo presidente ferido. Agentes ligados à Mossad terão depois retirado Ahmadinejad e a família da residência e conduzido o grupo para um local seguro.

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A operação, contudo, não terá produzido o resultado esperado. Ahmadinejad e responsáveis americanos terão começado a afastar-se do plano depois de o ataque correr de forma diferente do previsto e de aumentar o caos político no país.

As autoridades iranianas acabaram por descobrir parte dos contactos mantidos com Israel. Quatro altos responsáveis iranianos citados pelo ‘The New York Times’ afirmaram que a Guarda Revolucionária colocou Ahmadinejad em prisão domiciliária devido a essas ligações.

O antigo presidente permaneceu vários meses afastado da vida pública. Segundo o 20 Minutos, reapareceu no cortejo fúnebre de Ali Khamenei, morto nos ataques de 28 de fevereiro, acompanhado de elementos da segurança iraniana.

A escolha de Ahmadinejad como potencial alternativa ao regime causou surpresa. Durante os dois mandatos presidenciais, entre 2005 e 2013, destacou-se pela hostilidade contra Israel, pela contestação ao Ocidente e pela defesa do programa iraniano de enriquecimento de urânio.

Nos últimos anos, porém, entrou em conflito com setores do poder iraniano, viu várias candidaturas presidenciais bloqueadas e procurou construir uma imagem política mais independente. Dois antigos assessores disseram ao jornal americano que a sua principal motivação seria recuperar influência e poder, e não obter benefícios financeiros.

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A investigação indica que os contactos com Israel decorreram durante vários anos e incluíram reuniões no estrangeiro. Ahmadinejad terá procurado apresentar-se como uma figura capaz de liderar uma transição, apesar do passado ideológico aparentemente incompatível com uma aproximação a Telavive.

O caso expõe a dimensão das operações clandestinas destinadas a influenciar o futuro político do Irão, mas também os riscos e contradições envolvidos. Uma estratégia concebida para substituir o regime terá acabado por deixar Ahmadinejad ferido, politicamente isolado e novamente sob controlo das autoridades iranianas.

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