De hambúrgueres do McDonald’s a ameaças ao Irão: momento insólito de Trump gera polémica na Casa Branca

A cena, cuidadosamente encenada apesar de não constar da agenda oficial, decorreu perante jornalistas e com a estafeta ao lado do presidente, enquanto este abordava temas que iam desde política fiscal até à guerra no Médio Oriente

Francisco Laranjeira

Um momento insólito na Casa Branca está a gerar polémica nos Estados Unidos: Donald Trump recebeu pessoalmente uma encomenda de McDonald’s à porta do Salão Oval — e transformou a entrega numa conferência de imprensa improvisada, em plena escalada de tensões com o Irão, relata o ‘The Independent’.

A cena, cuidadosamente encenada apesar de não constar da agenda oficial, decorreu perante jornalistas e com a estafeta ao lado do presidente, enquanto este abordava temas que iam desde política fiscal até à guerra no Médio Oriente.

Com sacos de hambúrgueres e batatas fritas na mão, Trump começou por interagir com a estafeta, Sharon Simmons, destacando a sua medida de eliminação de impostos sobre gorjetas. “Isto não parece encenado”, comentou, num raro momento de ironia, antes de avançar para declarações políticas.

O episódio ocorre num contexto particularmente tenso: os Estados Unidos iniciaram um bloqueio ao Estreito de Ormuz e o presidente está envolvido em várias polémicas, incluindo a publicação — entretanto apagada — de uma imagem gerada por inteligência artificial onde surge retratado como Jesus Cristo.

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Questionado sobre essa imagem, Trump tentou desvalorizar: afirmou tratar-se de uma representação sua “como médico”, garantindo que a intenção era mostrar alguém que “torna as pessoas melhores”. A explicação não convenceu críticos, incluindo setores conservadores e religiosos.

Ao mesmo tempo, o presidente voltou a endurecer o discurso em relação ao Irão, confirmando que o principal impasse nas negociações continua a ser o programa nuclear de Teerão. “O Irão não terá armas nucleares”, insistiu, admitindo que sem acordo “não haverá acordo nunca”, numa formulação que mistura pressão diplomática com ameaça implícita.

Mais adiante, o ‘The Independent’ sublinha o desconforto visível da estafeta, mantida ao lado de Trump durante toda a intervenção. Num dos momentos mais embaraçosos, o presidente questionou-a sobre temas políticos sensíveis, como a participação de atletas transgénero no desporto feminino. A resposta foi evasiva: “Não tenho opinião. Estou aqui pelas gorjetas”, disse.

A escolha da estafeta não foi inocente. Sharon Simmons já tinha testemunhado no Congresso a favor da medida “no tax on tips”, incluída no pacote fiscal republicano aprovado no ano passado, que também reforçou o financiamento das autoridades de imigração e prolongou cortes de impostos anteriores.

Segundo a DoorDash, empresa para a qual trabalha, a medida permitiu aos trabalhadores do setor poupar centenas de milhões de euros em impostos. A própria Simmons terá realizado quase 12 mil entregas na plataforma e destacou anteriormente a importância da flexibilidade do trabalho, sobretudo após o diagnóstico de cancro do marido.

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Num cenário marcado por guerra, tensões diplomáticas e polémicas digitais, o episódio da entrega de McDonald’s acabou por se tornar simbólico: um momento aparentemente trivial que expõe, ao mesmo tempo, a estratégia mediática e o estilo político de Trump — onde espetáculo e governação se cruzam de forma cada vez mais difícil de separar.

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