De €67 mil em Vimioso a €1,35 milhões em Cascais: preços das casas agravam desigualdade no acesso à habitação

O fosso no mercado imobiliário em Portugal está a aumentar: enquanto há casas à venda por 67 mil euros em Vimioso, em Cascais os preços médios já chegam aos 1,35 milhões. Os dados mais recentes revelam um país cada vez mais desigual no acesso à habitação.

Executive Digest

O mercado imobiliário em Portugal está a tornar-se progressivamente mais desigual entre concelhos, com diferenças de preços cada vez mais expressivas. De acordo com o mais recente Barómetro de Concelhos do Imovirtual, os valores médios de compra variam atualmente entre os 67.000 euros, em Vimioso (distrito de Bragança), e os 1.350.000 euros, em Cascais (distrito de Lisboa), evidenciando um fosso crescente no acesso à habitação.

Mais do que uma simples variação de preços, esta amplitude revela um mercado profundamente fragmentado, onde a localização assume um papel determinante na definição de valor e acessibilidade.

Os preços mais elevados continuam concentrados sobretudo no litoral, no Algarve e nas regiões autónomas. O ranking dos concelhos mais caros é liderado por Cascais, com um valor médio de 1,35 milhões de euros, seguido por Grândola, que atinge os 1,3 milhões.

Na lista surgem ainda Calheta, na Madeira, com 920.000 euros, Loulé com 799.000 euros e Castro Marim com 780.000 euros. São Brás de Alportel aparece com 750.000 euros, seguido de Oeiras (720.000 euros), Lisboa (703.000 euros), Faro (654.500 euros) e Funchal (650.000 euros).

Esta concentração reflete a forte pressão da procura nestes territórios, onde a oferta disponível é mais limitada, contribuindo para uma valorização mais acelerada dos imóveis.

Continue a ler após a publicidade

Evolução desigual: subidas acentuadas e ligeiras correções

Dentro dos mercados mais valorizados, o comportamento dos preços não é uniforme. Há concelhos a registar crescimentos expressivos, como São Brás de Alportel, que apresenta uma valorização anual de 52%, passando de 495.000 para 750.000 euros.

Em contraste, Lisboa evidencia um ligeiro ajustamento de preços, com uma descida de 2%, passando de 720.000 para 703.000 euros, sinalizando um possível abrandamento após anos de forte valorização.

Continue a ler após a publicidade

No segmento mais acessível do mercado, os valores são substancialmente mais baixos e refletem realidades económicas distintas. Vimioso lidera com 67.000 euros, seguido de Almeida (69.000 euros) e Nisa (69.500 euros).

Proença-a-Nova e Gouveia apresentam ambos valores de 70.000 euros, enquanto Mação surge com 72.500 euros. Penedono e Miranda do Douro registam igualmente 72.500 euros, seguidos de Alfândega da Fé e Chamusca, ambos com 75.000 euros.

Estes valores não representam apenas maior acessibilidade, mas também menor dinamismo de mercado, menor liquidez e uma procura reduzida, fatores que condicionam a evolução dos preços nestes territórios.

Arrendamento também reflete desigualdades entre concelhos

A disparidade territorial estende-se igualmente ao mercado de arrendamento. As rendas variam entre cerca de 740 euros em Coimbra e 2.560 euros em Cascais, evidenciando diferenças significativas no custo de acesso à habitação.

Continue a ler após a publicidade

Cascais lidera novamente entre os concelhos mais caros para arrendar, seguido de Lisboa (1.850 euros) e Oeiras (1.700 euros). Lagos surge com 1.650 euros, enquanto Funchal apresenta 1.625 euros. Faro (1.539 euros), Albufeira (1.514 euros), Tavira (1.500 euros), Óbidos (1.400 euros) e Sintra (1.400 euros) completam o ranking.

Nos mercados mais acessíveis, Coimbra destaca-se com uma renda média de 740 euros. Seguem-se Guimarães (848 euros) e Leiria (850 euros), assim como São João da Madeira (850 euros), Beja (855 euros), Santarém (950 euros) e Aveiro (950 euros). Peniche regista 1.000 euros, enquanto Nazaré e Braga apresentam valores médios de 1.100 euros.

Apesar destas diferenças, mesmo os mercados mais acessíveis mantêm rendas acima dos 700 euros, o que evidencia uma subida generalizada dos preços do arrendamento em todo o país.

Um mercado cada vez mais fragmentado

Segundo Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual, os dados confirmam uma transformação estrutural no mercado imobiliário nacional.

“O que estes dados mostram é um mercado cada vez mais fragmentado, onde os preços deixam de refletir uma tendência nacional e passam a ser definidos por dinâmicas muito locais. Concelhos com maior pressão da procura e menor oferta disponível continuam a valorizar, enquanto mercados com menor liquidez tendem a estabilizar ou corrigir. Esta divergência está a acentuar as diferenças no acesso à habitação entre territórios”, afirma.

Esta evolução reforça a ideia de que o mercado imobiliário em Portugal já não segue uma tendência homogénea. Em vez disso, são as características específicas de cada concelho – como procura, oferta e atratividade – que determinam o comportamento dos preços, aprofundando as desigualdades territoriais no acesso à habitação.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.