O furto registado recentemente no gabinete do Chega na Assembleia da República não terá sido um caso isolado. Ao longo dos últimos anos, vários deputados terão denunciado às autoridades o desaparecimento de computadores e outros objetos pessoais do interior dos gabinetes parlamentares.
Um dos casos envolveu Duarte Pacheco, antigo deputado do PSD, que ficou sem o computador portátil depois de o deixar em cima da secretária durante a hora de almoço.
De acordo com o Correio da Manhã, o ex-parlamentar apresentou queixa à GNR, mas nunca recuperou o equipamento nem soube se a investigação permitiu identificar o responsável.
Computador tinha documentos de trabalho parlamentar
Duarte Pacheco contou que saiu para almoçar sem fechar a porta do gabinete. Quando regressou, o computador já não estava sobre a secretária.
O episódio terá ocorrido há cerca de uma década, durante o período em que desempenhava funções na Assembleia da República, onde esteve entre 1991 e 2024.
O antigo deputado esclareceu que o portátil não continha segredos de Estado, mas guardava documentos relacionados com o trabalho parlamentar e poderia incluir informação reservada de comissões de inquérito que decorriam nessa altura.
A GNR deslocou-se ao local para avaliar a situação, mas Duarte Pacheco afirma não ter recebido informações sobre diligências posteriores.
Outros deputados também ficaram sem objetos pessoais
Segundo o Correio da Manhã, Duarte Pacheco garante que outros deputados, alguns com experiência em funções governativas, também apresentaram queixas por furtos dentro do Parlamento.
Entre os bens retirados dos gabinetes estariam computadores, canetas, óculos de sol e outros objetos pessoais de valor.
O ex-deputado recorda que, durante o dia, era habitual os gabinetes permanecerem abertos. À noite, os seguranças percorriam o edifício para fechar as portas, que voltavam a ser abertas de manhã para permitir a limpeza.
Mais de mil pessoas circulam diariamente no Parlamento
Duarte Pacheco destaca que mais de mil pessoas passam diariamente pela Assembleia da República, sem contar com os convidados.
Além dos deputados, circulam pelo edifício funcionários dos grupos parlamentares, agentes de segurança, trabalhadores da Assembleia, profissionais de empresas prestadoras de serviços e jornalistas.
O antigo parlamentar chama também a atenção para a circulação entre o edifício da Assembleia e a residência oficial do primeiro-ministro, situada nas traseiras do complexo de São Bento.
O próprio recorda uma ocasião em que, devido a uma manifestação que bloqueava uma saída, atravessou o recinto e abandonou o local pelo portão utilizado pela residência oficial do chefe do Governo.
Ex-deputado pede mais videovigilância
Nas entradas do Parlamento é feito o registo das pessoas que acedem ao edifício e existem câmaras de segurança.
Ainda assim, Duarte Pacheco considera que não é possível acompanhar tudo o que acontece no interior e fala numa situação de insegurança.
Por esse motivo, defende o reforço da videovigilância na Assembleia da República.
Ventura revelou ameaça de bomba no gabinete
O presidente do Chega, André Ventura, revelou entretanto que o partido já foi alvo de várias ameaças e atos de intimidação na zona dos gabinetes parlamentares.
Numa entrevista ao NOW, Ventura contou que, a 6 de maio, durante uma visita do presidente do Parlamento ucraniano, foi encontrado no seu gabinete um bilhete a anunciar que uma bomba explodiria dentro de 15 ou 20 minutos.
O Ministério Público abriu um inquérito relacionado com a ameaça, que acabou por ser arquivado.














