De comboios secretos a quarentenas obrigatórias: Ex-líder da equipa de segurança de Putin revela paranoias do Presidente russo

Karakulov foi capitão dos Serviço de Proteção Federal (FSO), um organismo poderoso que é responsável pela proteção dos mais altos oficiais russos, e enumerou as medidas desenhadas para esconder o paradeiro do Presidente da Rússia, que é descrito como tendo “um medo patológico de perder a vida”.

Pedro Gonçalves
Abril 5, 2023
13:53

Gleb Karakulov, alto-responsável da segurança presidencial na Rússia, que no ano passado desertou e fugiu do país, revela agora uma série de detalhes sobre o estilo de vida de Putin, que vive num estado de paranoia de que pode ser morto a qualquer momento e que, por isso, tem uma série de mecanismos e protocolos de segurança extremamente exigentes.

Karakulov foi capitão dos Serviço de Proteção Federal (FSO), um organismo poderoso que é responsável pela proteção dos mais altos oficiais russos, e enumerou as medidas desenhadas para esconder o paradeiro do Presidente da Rússia, que é descrito como tendo “um medo patológico de perder a vida”.

O desertor russo confirma em entrevista ao jornal de investigação Proekt a existência de uma rede ferroviária e um comboio secretos, com linhas paralelas e estações próximas das várias residências de Putin. O objetivo é “impedir rastreamento” no caso de ser necessária “uma fuga furtiva” de Presidente, já que esta linha “não pode ser rastreada por nenhum recurso de informações existente”.

O engenheiro de comunicações russo foi membro da “equipa de campo” de proteção da Diretoria de Comunicações Presidenciais, e acompamhou Putin em mais de 180 viagens com outros oficiais de topo.

Na entrevista, Karakulov diz que Putin é “um criminoso de guerra” e afirma ter dito a outros colegas que deviam divulgar a informação que é escondida da população russa.

“O nosso Presidente perdeu a noção e o contacto com o mundo. Está a viver num casulo de informação nos últimos anos, passando a maior parte do tempo fechado nas suas casas, que os media fazem bem a chamar bunkers. Ele rodeia-se de uma barreira impenetrável de quarentenas e de vazio informativo. Só valoriza a própria vida, da família e dos amigos, não quer saber de mais nada”.

O ex-responsável pela segurança relata que ficou encarregado de instalar formas de comunicação secretas em aviões, helicópteros, iates e até num bunker.

Putin recebe todas as suas informações pelos serviços secretos russos, não usa telemóvel ou Internet.

Putin ainda leva a cabo quarentenas e obriga todos os funcionários que trabalham com ele a fazer um isolamento de duas semanas antes de poderem trabalhar, o que limita muito o número de pessoas que tem contacto com ele.

Karakulov explica ainda que Putin têm escritórios completamente idênticos, ao mais ínfimo pormenor, em São Petersburgo, Sochi, e Novo-Ogaryovo, e que os serviços secretos e de segurança encetavam falsas escoltas para “confundir os serviços de inteligência estrangeiros”, fingindo que o Presidente estava a sair de determinado local, quando na realidade estava noutro.

Ainda, o estilo de vida de Putin e os seus hábitos diários mudaram radicalmente desde a pandemia da Covid-19, com o Presidente a evitar deslocações e aparições públicas.

“Ele fechou-se ao mundo. A sua visão da realidade está distorcida”, aponta.

Os regimes de quarentenas obrigatórias impostos por Putin, bem como a mudança de hábitos, tem motivado rumores sobre alegados problemas de saúde de Putin, mas Karakulov garante que o Presidente da Rússia não dá sinais de estar debilitado.

 

 

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