O Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM) divulgou, em carta aberta, um apelo ao Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e ao primeiro-ministro, António Costa, para que haja intervenção, alertando para a falta de medidas de protecção da Covid-19 junto dos motoristas.
«Todos estarão recordados do mês de Agosto de 2019 e de todo o circo que o antecedeu em relação à mais que justa ‘luta’ dos motoristas de mercadorias e da campanha de desinformação levada a cabo para desacreditar as suas reivindicações, recordamos que estes profissionais apenas reclamavam um salário justo e o pagamento de todas as horas trabalhadas devidamente declaradas e tributadas. Pois bem, na altura foram tomadas medidas (…). Não deveriam ser tomadas medidas agora para permitir que os motoristas pudessem trabalhar no abastecimento às populações com o mínimo de segurança e dignidade?», começa por questionar o SIMM na carta, intitulada «de bestas a bestiam, mas continuam ignorados».
«Nós os motoristas temos plena consciência da importância da nossa missão neste momento tão dramático para o país e para o mundo. Os nossos associados e outros motoristas em geral têm manifestado o seu empenho e dedicação para que nada falte às populações no que de nós motoristas depender (…)», garante, embora criticando a «total ausência de resposta» a dois pedidos feitos anteriormente a vários ministérios, associações patronais e até outros sindicatos representativos do sector (13 de Março e 19 de Março). «Temos plena consciência de que, não podemos parar e que com isso estamos a correr sérios riscos tal como outros profissionais, com a agravante do potencial de propagação da doença Covid-19 devido ás nossas constantes deslocações pelo país e pela Europa, e é precisamente esse o apelo que vos queremos fazer, que sejam tomadas medidas para protecção das nossas famílias, da população e de nós próprios», reafirma.
Devido às medidas tomadas «e bem», para a propagação do contágio, «a penosidade e dificuldade desta profissão sofreu um enorme agravamento. Vivemos na estrada literalmente, contactamos com inúmeros agentes potencialmente contagiados, as nossas famílias estão protegidas em casa (assim acreditamos) mas, principalmente para quem faz linhas de e para fora de Portugal a alegria do regresso deu lugar ao medo, não estaremos nós a levar a doença para junto dos nossos entes mais queridos e até para o resto da população?», interroga-se o sindicato.
Os motoristas pedem que seja adoptada legislação sobre a obrigatoriedade de as entidades patronais fornecerem equipamentos de protecção individual contra a Covid-19, alegando que «alguma da legislação já existente não está a ser cumprida», e para que seja criada uma rede de infraestruturas nacional de apoio aos motoristas com locais de alimentação (take-away), WC e locais para a higiene diária dos trabalhadores.
Apelam igualmente para a adopção de medidas de proteção social para os motoristas que possam contrair a doença no exercício das suas funções e para que sejam instalados postos de controlo nas fronteiras para despistagem da Covid-19 aquando do regresso dos profissionais ao país.








