De Azovstal a Zelensky: os marcos e protagonistas de uma guerra que já dura há três meses

Azovstal, Bucha, Mariupol ou Zelensky são nomes que não voltarão a ser esquecidos

Francisco Laranjeira

Três meses após a decisão de Putin em invadir a Ucrânia, o conflito já deixou marcos e protagonistas, conforme lembrou o jornal espanhol ‘ABC’.

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Azovstal

Esta siderurgia tornou-se um símbolo dentro de outro símbolo, a cidade de Mariupol. As forças do Kremlin encontraram uma defesa cuja espinha dorsal tem sido o batalhão Azov. Zelensky ordenou na passada sexta-feira que baixassem as armas para evitar o martírio dos últimos defensores da fábrica metalúrgica, após quase três meses de resistência.

Bucha
Imagens de civis mortos deram a volta ao mundo em abril último, provocando indignação generalizada. Desde a libertação desta cidade ao norte de Kiev, foram retirados mais de 400 corpos das ruas, muitos dos quais executados. Zelensky acusou o Kremlin de genocídio e a ONU pediu uma investigação de crimes de guerra.

Crimes de guerra

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A Ucrânia afirmouter identificado 13 mil casos, acusações que a Rússia nega categoricamente. Um tribunal ucraniano já condenou um soldado russo a prisão perpétua por ter assassinado um civil desarmado no primeiro julgamento por crimes de guerra neste conflito.

Donbass

Depois de abandonar o ataque à capital Kiev, a Rússia tem concentrado a sua ofensiva no leste e sul, face às crescentes sanções e a uma feroz contra-ofensiva ucraniana reforçada por armas ocidentais. Kiev descartou qualquer acordo de cessar-fogo que envolvesse a concessão de territórios para Moscovo.

Eurovisão

Zelensky entrou em jogo no campo musical e pediu o voto para os representantes da Ucrânia do Festival da Eurovisão. A Orquestra de Kalush e a canção ‘Stefania’ venceram o concurso graças à grande onda de solidariedade exibida pelo público.

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Frentes de combate

Irpin, Bucha ou Kharkiv são algumas das grandes barreiras defensivas que as forças russas não conseguiram ultrapassar. Se a primeira fase foi caracterizada por tentativas de rápida rutura com bombardeamentos, desde abril que o Kremlin tem vindo a executar um avanço mais metódico.

Gás

A crise desencadeada na zona oriental da Europa semeou muitas dúvidas sobre o fornecimento de energia da União Europeia. Há anos que os países da União Europeia substituem as centrais a carvão e as centrais nucleares por fontes renováveis mas ainda não é suficiente.

Fome

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A Rússia e a Ucrânia fornecem 28% do mercado mundial de trigo. O custo dos alimentos em algumas das regiões mais pobres do mundo disparou desde o início da invasão, de acordo com um estudo da ‘Alliance for Solidarity-ActionAid’. Por exemplo, um pacote de massas custa 275% mais do que há três meses no Líbano, enquanto o preço de um pão na Somália é 163% maior.

Invasão

No outono de 2021, os serviços secretos norte-americanos já haviam alertado os seus parceiros europeus e a Ucrânia para uma potencial invasão russa no leste do país. Apesar das imagens de satélite mostrarem uma atividade invulgar das forças russas do outro lado da fronteira, nem Kiev nem a diplomacia europeia reconheceram que a Rússia se atreveria a uma invasão com consequências incalculáveis.

Javelin

Desenvolvido nos EUA nos anos 90, tornou-se o míssil da resistência ucraniana contra os tanques russos. Kiev recebeu vários carregamentos destas armas para impedir o avanço de veículos blindados.

Kiev

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Após seis semanas de ameaça de ataque constante, o mundo testemunhou como esta região foi totalmente libertada do cerco e ocupação das tropas russas. As forças inimigas falharam na tentativa de levar a cabo uma operação relâmpago na capital. Também não podiam rodeá-lo, por isso optaram por retirar as suas tropas de forma acelerada. Um grave revés para Putin.

Lukashenko

A aliança entre Moscovo e Minsk foi reforçada desde as eleições fraudulentas de 2020. Nos meses anteriores à guerra, numerosas tropas russas foram destacadas para a fronteira da Ucrânia com a Bielorrússia. Mas a entrada das tropas bielorrussas no conflito foi ‘tímida’, perante o fracasso militar russo que fez o próprio Lukashenko abandonar a ideia.

Mariupol

O nome desta cidade localizada junto ao Mar de Azov, com 445 mil habitantes, antes da guerra, ficará, sem dúvida, gravado na memória como símbolo de cerco e destruição em massa, como no passado foram Alepo (Síria) e Grozny (Chechénia). Uma cidade mártir atormentada por tragédias históricas.

Nazi

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A Ucrânia “desnazificada” é um dos principais argumentos de propaganda do Kremlin para justificar a invasão da Ucrânia. Ou seja: “libertar” a população russófona das “garras ucranianas”. E o símbolo desta operação é a famosa letra Z.

NATO

A sua suposta expansão para leste tem sido um dos pretextos do aparelho de propaganda russa para justificar a invasão da Ucrânia. No entanto, o que Putin conseguiu foi incitar países historicamente neutros, como a Suécia e a Finlândia, a solicitarem a adesão à Aliança Atlântica para dissuadir a Rússia de repetir “operações” como a da Ucrânia.

Putin

O autocrata russo ultrapassou todas as linhas vermelhas possíveis e foi acusado de um total de 13 mil alegados crimes de guerra pela Procuradoria-Geral da Ucrânia. Além disso, está a conduzir o seu país a uma ditadura de ferro. Um exemplo é a repressão de cidadãos russos que se opõem à invasão.

Refugiados

Mais de 14 milhões de pessoas fugiram de suas casas desde o início da invasão, segundo a ONU. Cerca de seis milhões e meio foram para países vizinhos, enquanto oito milhões estão deslocados no próprio país.

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Sanções

Nos primeiros dias da invasão, Kiev foi muito claro sobre o que precisava do Ocidente: desligar a Rússia do sistema SWIFT, congelar as contas do Banco Central Russo e impor uma zona de exclusão aérea. Algumas entidades foram desligadas e os bens foram congelados, mas a exclusão aérea foi excluída para não internacionalizar a guerra. Desde então, a UE tem procurado reduzir a sua dependência energética.

União Europeia

A Ucrânia aspira a aderir à UE mas esse sonho ainda está longe (não menos de uma década de espera). De momento, o projeto promovido pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, está a ganhar força: uma comunidade geopolítica europeia que pode acolher Kiev, mas sem enfraquecer a UE.

V para a vitória

Como todos os dias 9 de maio, a Rússia comemorava o triunfo do Exército Vermelho sobre a Alemanha Nazi. Era possível que este ano Putin usasse o aniversário para declarar formalmente a guerra. Em vez disso: críticas ao Ocidente, à NATO e a Kiev por pôr em perigo a segurança da Rússia.

Zelensky

A guerra fez dele um herói da Ucrânia e um símbolo de resistência. Relutante em deixar Kiev e sempre vestido com a sua camisa militar khaki, o antigo comediante forjou uma imagem de um líder próximo, corajoso e hiperativo.

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