De 600 mil euros para um cêntimo: Contas de Pinto da Costa esvaziadas antes da morte. Justiça investiga

Em causa estão movimentos bancários realizados numa altura em que o antigo presidente do FC Porto estaria já muito debilitado

Revista de Imprensa

Dezenas de levantamentos e transferências nas contas de Jorge Nuno Pinto da Costa, nos meses que antecederam a sua morte, estão agora sob investigação, avança o ‘Correio da Manhã’. Em causa estão movimentos bancários realizados numa altura em que o antigo presidente do FC Porto estaria já muito debilitado, com várias fontes a garantirem que se encontrava acamado e sem plena noção do que fazia.

Um dos documentos juntos ao processo de partilhas interposto por Alexandre Pinto da Costa, filho mais velho do antigo dirigente portista, refere um levantamento de 600 mil euros em numerário. O documento é datado de dezembro, cerca de dois meses antes da morte de Pinto da Costa.

Levantamento de 600 mil euros e transferências sob suspeita

A Justiça está a investigar as transferências e Cláudia Campo, viúva de Pinto da Costa e visada na ação cível, terá agora de justificar esses movimentos em tribunal. O julgamento ainda não tem data marcada, mas deverá analisar também as alegadas dádivas feitas pelo antigo presidente do FC Porto à mulher.

Entre os movimentos referidos está uma transferência de 100 mil euros para a conta de Cláudia Campo. Noutras contas, segundo a investigação, terão ficado apenas alguns cêntimos.

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Apesar dos levantamentos e transferências, ainda existiam cerca de 700 mil euros em aplicações financeiras. Esses valores não puderam ser levantados por estarem aplicados e terão agora de ser integrados nas partilhas, que ainda não foram realizadas.

Documento sem carimbo do banco e assinatura contestada

Alexandre Pinto da Costa ganhou recentemente um recurso no Tribunal da Relação do Porto, que determinou que o caso siga para julgamento no Tribunal Cível. Paralelamente, decorre também uma ação criminal que visa diretamente a viúva, devido a documentos cuja autenticidade é contestada.

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Um dos exemplos apontados é o documento relativo ao levantamento de 600 mil euros. Nele, é referido que o dinheiro se destinaria a uma viagem aos Estados Unidos e a um tratamento médico, situações que, segundo o processo, não terão ocorrido.

O mesmo documento não terá assinatura de qualquer responsável do banco nem carimbo da instituição. Além disso, a assinatura atribuída a Pinto da Costa será diferente da que foi feita na altura da alteração do testamento, também cerca de dois meses antes da sua morte.

Conta no Santander ficou com um cêntimo

Cláudia Campo é visada nas ações interpostas por Alexandre Pinto da Costa. A viúva era bancária no Santander quando conheceu o antigo presidente do FC Porto e só terá deixado o emprego depois da morte do marido.

De acordo com o ‘Correio da Manhã’, naquele banco Pinto da Costa terá deixado apenas um cêntimo, facto que consta da investigação aos movimentos financeiros realizados antes da morte.

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Jorge Nuno Pinto da Costa morreu a 15 de fevereiro de 2025, aos 87 anos. Foi associado do FC Porto durante 71 anos e liderou o clube durante 42 anos, período em que o emblema portista somou 2.591 conquistas.

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