Das passerelles à ONU: Melania Trump faz história e preside Conselho de Segurança

Enquanto primeira-dama, Melania Trump tem concentrado a sua ação em causas relacionadas com a infância

Francisco Laranjeira

Melania Trump prepara-se para entrar na história diplomática dos Estados Unidos ao presidir ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, representando o país na presidência rotativa mensal do órgão. A primeira-dama, de acordo com a Casa Branca, será a primeira, em exercício, a liderar uma reunião do Conselho.

Num comunicado divulgado na passada quarta-feira, o gabinete de Melania sublinhou que a iniciativa pretende enfatizar “o papel da educação na promoção da tolerância e da paz mundial”. A sessão, marcada para esta segunda-feira às 15h (20h em Lisboa), terá como tema “Crianças, Tecnologia e Educação em Conflito” e será a primeira reunião da nova presidência americana do órgão.

De acordo com a revista ‘Sábado’, a presidência do Conselho de Segurança roda mensalmente entre os 15 países membros, seguindo a ordem alfabética, tendo cabido agora aos Estados Unidos assumir essa responsabilidade. Tradicionalmente, a função é desempenhada pelo embaixador do país junto da ONU ou por um alto responsável governamental. Desta vez, Washington optou por designar a primeira-dama.

Stephane Dujarric, porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas, confirmou que esta será a primeira vez que uma primeira-dama — ou primeiro-cavalheiro — preside formalmente uma reunião do Conselho de Segurança, segundo os registos da organização. Embora cônjuges de chefes de Estado tenham participado anteriormente em eventos ligados à ONU, nunca tinham liderado os trabalhos do Conselho enquanto exerciam funções de primeira-dama.

A reunião deverá contar com a presença do embaixador americano na ONU, Mike Waltz, bem como de outros representantes internacionais. Nas redes sociais, Waltz manifestou satisfação pela escolha de Melania para liderar a sessão.

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Enquanto primeira-dama, Melania Trump tem concentrado a sua ação em causas relacionadas com a infância. Em 2018 lançou a iniciativa Be Best, dedicada ao bem-estar das crianças. Mais recentemente, tem destacado esforços para apoiar o regresso de crianças ucranianas alegadamente levadas pela Rússia desde o início da guerra em 2022, tendo anunciado que algumas foram reunidas com as respetivas famílias.

A nova função surge num contexto político sensível. O presidente Donald Trump tem assumido uma postura crítica em relação às Nações Unidas, classificando a organização como “ineficaz” e retirando os Estados Unidos de várias agências, incluindo a Organização Mundial da Saúde e a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas. O financiamento americano a determinadas entidades da ONU também foi reduzido, embora Washington tenha recentemente pago 160 milhões de dólares ao orçamento geral da organização, que enfrenta dificuldades financeiras e acumula contribuições em atraso.

Paralelamente, Trump lançou o chamado “Conselho da Paz”, uma iniciativa que alguns críticos interpretam como uma alternativa à ONU, destinada a resolver disputas internacionais fora do quadro tradicional das Nações Unidas.

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É neste cenário que Melania Trump assume a liderança de uma das mais importantes instâncias internacionais dedicadas à paz e à segurança globais, marcando um momento inédito na diplomacia americana e no papel institucional das primeiras-damas dos Estados Unidos.

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