Das nove às nove seis dias por semana. Abusos laborais na China voltam a ser expostos após morte de jovem por exaustão

Alegações de que outro trabalhador de tecnologia chinês morreu após horas extras excessivas, reacendeu o debate sobre a “cultura 996” da indústria e os abusos a que os funcionários são sujeitos. 

Simone Silva

Alegações de que outro trabalhador de tecnologia chinês morreu após horas extras excessivas, reacendeu o debate sobre a “cultura 996” da indústria e os abusos a que os funcionários são sujeitos.

Segundo o ‘The Guardian’, o jovem de 25 anos morreu logo após ser transportado para o hospital na tarde de sábado. A plataforma de vídeos Bilibili, onde trabalhava como auditor de conteúdos, disse que representantes da empresa foram ao hospital para ajudar e depois notificaram a família.

A Bilibili divulgou um comunicado interno a rejeitar as alegações de que o funcionário – que supostamente morreu de hemorragia cerebral – estava sobrecarregado, sublinhando que o homem trabalhou das 9h30 às 18h30 na semana passada, sem horas extras.

Contudo, a notícia da sua morte renovou a discussão acalorada sobre uma cultura chinesa tóxica de horas extras apelidada de “996” – referindo-se a uma estimativa de que os funcionários, especialmente na indústria de tecnologia, trabalhem das 9h às 21h seis dias por semana.

Uma hashtag relacionada com a morte do homem e incluindo a alegação de excesso de trabalho foi tendência no Weibo (rede social chinesa), recebendo centenas de milhões de visualizações.

Continue a ler após a publicidade

A publicação foi acompanhada de uma série de acusações de que o governo não fez o suficiente para resolver os problemas no país, desde que uma vaga de mortes de alto perfil ligadas ao excesso de trabalho foi despoletada em 2020 .

Também gerou publicações de pessoas que alegaram ter trabalhado para a empresa em turnos noturnos de 12 horas no feriado do ano novo lunar da semana passada.

“Na Bilibili, mesmo que tenha dias de folga anuais, realmente não o deixariam aproveitar. E não há pagamento por excesso de trabalho”, disse um utilizador. “A nossa intensidade de trabalho é das 21h às 9h”, acrescentou outro.

Continue a ler após a publicidade

Após a extensa discussão online, a Bilibili divulgou uma segunda declaração, a dizer que os seus executivos seniores tinham consultado a família do homem e fariam mudanças na empresa.

“Primeiro, a empresa fará os maiores esforços para expandir o recrutamento de auditores e recrutar mais mil pessoas este ano. Em segundo lugar, vamos prestar mais atenção à saúde física dos funcionários”, concluiu.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.