Das informações forjadas ao ataque político: Isabel dos Santos já montou a sua linha de defesa

O Tribunal Provincial de Luanda decretou na segunda-feira, 30 de Dezembro, o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo e de Mário da Silva, chairman da Efacec, administrador da Nos e seu braço direito, e das participações sociais que detêm em nove empresas naquele país.

Executive Digest

O caso está a agitar Angola. A mulher mais rica de África, Isabel dos Santos, está envolvida num processo judicial que lhe arrestou bens, contas bancárias e participações em empresas. A empresária está acusada de ter lesado o Estado angolano em 1,13 mil milhões de dólares.

O Tribunal Provincial de Luanda decretou na segunda-feira, 30 de Dezembro, o arresto preventivo de contas bancárias pessoais de Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo e de Mário da Silva, chairman da Efacec, administrador da Nos e seu braço direito, e das participações sociais que detêm em nove empresas naquele país (Banco BIC, Unitel, Banco BFA, Finstar, ZAP Media, Cimangola II SA, Condis – centros comerciais Candando, Continente Angola e Sodiba, distribuição de bebidas).

A defesa que a filha de José Eduardo dos Santos estará já a desenhar terá como pontos-chave que este é um processo político. Na manhã de ano novo, em entrevista ao canal “Al Jazeera”, disse que o caso se trata de um «atentado politicamente motivado – não há dúvida sobre isso». «O meu pai escolheu não se recandidatar, achando que era preciso pessoas novas, era importante, e, infelizmente, as novas pessoas que estão a fazer estes ataques politicamente motivados, especialmente aos filhos dele», argumentou.

A empresária defende também que o processo judicial não foi conduzido nos termos da lei e que terá havido má fé por parte das autoridades angolanas. Questiona: «Quem são estas testemunhas que revelam ter conhecimento direto da maioria dos factos sobre os quais depuseram? E que documentos são estes apresentados ao tribunal?”.

No Twitter, Isabel dos Santos disse também que não teve oportunidade de se defender das «falsas acusações» baseadas em «fabricações». O julgamento «foi feito em segredo total sem que os advogados ou os diretores das minhas companhias fossem informados dos procedimentos», acusa.

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Isabel dos Santos disse-se «preocupada porque um Estado de direito, que acredito que Angola deva ser, é chave para um investidor». E ressalvou que é das pessoas que mais investe em Angola. «Fundei muitas empresas que não estão ligadas ao Estado, em media, telecom, centros comerciais.»

Ainda na sua versão, o arresto de bens em nove empresas angolanas será ilegal por vários motivos, entre eles a pertença das participações e os pedidos de empréstimo, e o valor das mesmas. Isabel dos Santos rejeita a «afirmação que está a ocultar património obtido à custa do Estado transferindo para outras entidades» e diz que o património arrestado é muito maior do que o que está indicado pelo Estado: «Não existe racional ou justificação para o valor apresentado no despacho sentença de 1.136.966.825,56 valor no qual supostamente o Estado foi lesado».

Fontes angolanas, citadas pelo “Diário de Notícias”, dizem que a defesa estará a preparar a contra-argumentação somando todos os valores e apresentado uma soma diferente da que está no processo. Contas feitas: 200 milhões da empresa de jóias Griscono, menos de 100 milhões da Galp, menos de 100 milhões da Unitel. A defesa argumentará ainda que os bens arrestados têm um valor muito superior àquele pelo qual o Estado angolano se sente lesado.

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Outro dos pontos da defesa de Isabel dos Santos é negar ter algo a ver com uma conta do BCP em nome do chefe das Comunicações do gabinete presidencial de José Eduardo dos Santos e depois consultor do general Kopelipa, Leopoldino Fragoso Nascimento, também conhecido como General Dino, alvo de uma intervenção policial portuguesa quando tentava fazer uma transferência de 10 milhões de euros para a Rússia.

Na rede social Twitter, a empresária escreveu: «É falsa e forjada a informação que Isabel dos Santos ordenou uma transferência de uma conta do General Leopoldino do Nasicmento junto Banco Millenium para uma conta na Rússia, e intervenção da polícia judiciária portuguesa, não tendo Isabel dos Santos nenhuma ligação a este assunto».

Desmente ainda todas as acusações, do negócio da Galp, que, diz ser «o investimento mais rentável na história da Sonangol», lembrando que em 2005, a participação da Sonangol estava avaliada em cerca de 429 milhões de euros, face aos actuais cerca de 960 milhões de euros.

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Em causa estão os 40% que pertencem a Isabel dos Santos, na Esperanza, que é detida nos outros 60% pela Sonangol e tem uma participação na Galp. A Esperaza detém também 45% do capital da Amorim Energia, holding que tem uma posição de 33,34% na petrolífera portuguesa. Assim, indirectamente, os angolanos controlam 15% da Galp. «A Esperaza [joint venture entre a Sonangol e a Exem Energy, esta de Isabel dos Santos e do marido] recebeu até esta data mais de 217 milhões de euros em dividendos e, tendo como referência o preço actual das acções da Galp Energia em bolsa e após o reembolso do passivo existente, o valor líquido da Esperaza ascende actualmente a cerca de 1,6 mil milhões de euros», justifica.

Rejeita igualmente a venda da participação na Unitel «a um suposto cidadão árabe, devendo então a PGR, caso esteja de boa-fé, informar o público do nome do cidadão árabe contactado e pormenores das datas de reunião e outras diligências realizadas». Diz ainda que não foram realizados contactos com autoridades japonesas «para realizar investimentos de um bilião de Dólares, devendo igualmente a PGR, caso esteja de boa-fé, informar o público que entidades japonesas foram supostamente contactadas pela requerida e em que datas».

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