A OMS declarou na semana passada o surto de mpox em África como emergência global de saúde, com casos confirmados entre crianças e adultos de mais de uma dezena de países e uma nova variante em circulação, inclusive em países da Europa. Para já não há casos da nova variante ainda detetados em Portugal, mas os especialistas pedem atenção aos sintomas, alguns muito característicos deste tipo de doenças.
Segundo explica Francisco George, presidente da Sociedade Portuguesa de Saúde Pública e antigo diretor-geral da Saúde, em entrevista à CNN Portugal, esta doença é caracterizada “para além de um quadro de febre, cefaleia, dor de cabeça”, por um exantema, manifestações de lesões na pele, recordando que se trata de uma doença 2provocada pela família dos Orthopoxvirus, que provocou a varíola (erradicada em 19809 e a cowpox.
Quando às lesões na pele “um sintoma característico muito claro” da mpox, Francisco George explica que “surge uma mancha, que fica um pouco mais elevada, depois fica com um líquido, a que chamamos vesícula e que pode infetar e ficar purulenta, e a seguir há a cicatrização e uma crosta que cai”.
O especialista clarifica que é esta “sequência” evolutiva da lesão, “em cascata”, que é um dos sintomas da doença. “Primeiro mácula, depois pápula com elevação, vesícula, pústula, surge a crosta. E depois a cicatriz, que fica para sempre”, aperta Francisco George.
A nova variante pode ser facilmente transmitida por contacto próximo entre dois indivíduos, sem necessidade de contacto sexual, e é considerada mais perigosa do que a variante de 2022.
O mpox transmite-se sobretudo pelo contacto próximo com pessoas infetadas, incluindo por via sexual.
Ao contrário de surtos anteriores, em que as lesões eram visíveis sobretudo no peito, mãos e pés, a nova estirpe causa sintomas moderados e lesões nos genitais, tornando-o mais difícil de identificar, o que significa que as pessoas podem infetar terceiros sem saber que estão infetadas.
O mpox foi descoberto pela primeira vez em seres humanos em 1970, na atual RDCongo (antigo Zaire), com a propagação do subtipo Clade I (do qual a nova variante é uma mutação), que desde então tem estado principalmente confinado a países da África Ocidental e Central, onde os doentes são geralmente infetados por animais infetados.
Em 2022, uma epidemia mundial do subtipo clade II propagou-se a uma centena de países onde a doença não era endémica, afetando principalmente homens homossexuais e bissexuais.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) esclareceu na passada sexta-feira que nenhum dos casos de monkeypox (mpox) reportados em Portugal é da variante mais perigosa da doença (clade I), que apareceu na quinta-feira pela primeira vez na Suécia.
Em resposta à agência Lusa, a DGS explica que “todos os casos reportados em Portugal são da clade I IIb do vírus monkeypox, não tendo sido identificado nenhum caso pela clade I”.
Um adia antes, depois de a Suécia ter registado o primeiro caso de uma variante mais contagiosa e perigosa da doença, a Organização Mundial de Saúde (OMS) alertou para a possibilidade de serem detetados na Europa outros casos importados de mpox, anteriormente conhecida como varíola dos macacos.
Segundo a DGS, entre 1 de junho de 2023 e 31 de julho de 2024, foram reportados em Portugal 244 casos de mpox.
Entre maio e julho de 2024 foram reportados três novos casos.
A DGS alerta ainda para a importância da deteção precoce de casos, do diagnóstico e dos mecanismos de prevenção e controlo, visando a redução de cadeias de transmissão quando aparecem novos casos.
A autoridade de saúde recomenda igualmente a vacinação preventiva da população com maior risco de infeção.












