Dados que Montenegro quis esconder estão ainda disponíveis na Entidade para a Transparência

Primeiro-ministro não pediu que a informação fosse ocultada em todas as declarações submetidas à Entidade para a Transparência

Revista de Imprensa

Os dados que Luís Montenegro pretendeu ocultar sobre os números de matriz predial de seis imóveis que constam das suas declarações de rendimentos estão ainda disponíveis, avançou o jornal ‘Observador’: isto porque o primeiro-ministro não pediu que a informação fosse ocultada em todas as declarações submetidas à Entidade para a Transparência.

Assim, de acordo com o jornal diário, ainda era possível até quarta-feira última consultar os dados na plataforma online, com acesso aos números de matriz dos 49 prédios rústicos e seis urbanos detidos por Montenegro. No entanto, na generalidade das declarações, tanto anteriores como posteriores, lê-se: “Dados indisponíveis por pedido de oposição por parte do titular.”



Segundo o gabinete de Relações Externas do Tribunal Constitucional, que gere a Entidade para a Transparência, “as declarações únicas do titular em que surgem os números das matrizes não constituíram objeto de pedidos de oposição”. De acordo com a entidade, foram recebidos até ao final de julho 46 pedidos de oposição à divulgação de informações, sendo que apenas 15 foram deferidos (dois apenas parcialmente) e 14 indeferidos.

De acordo com o gabinete do primeiro-ministro, o pedido de ocultação dos números da matriz predial teve por objetivo “garantir a proteção de dados pessoais sensíveis que permitem identificar as moradas de habitação própria e da família” de Luís Montenegro, o que “constitui um risco acrescido para a segurança do primeiro-ministro e da sua família” e implicaria “a mobilização de meios de segurança pública que se revelam impraticáveis e dispendiosos para o erário público”.

Recorde-se que no passado dia 31, o ‘Correio da Manhã’ noticiou que o primeiro-ministro se teria oposto “à divulgação do número da matriz dos seus imóveis e a Entidade para a Transparência aceitou”, acrescentando que “o primeiro-ministro não permite o acesso público ao número da matriz dos 55 imóveis que declarou”.

À saída do encerramento da Universidade de Verão do PSD, o primeiro-ministro negou que se tivesse oposto à divulgação do número da matriz dos seus imóveis declarados à Entidade para a Transparência.

Contudo, num comunicado enviado ao fim da tarde, Luís Montenegro afirmou que se opôs ao acesso público de “dados pessoais sensíveis” sobre seis imóveis urbanos da sua residência e família, e não de 55, e adiantou que todos foram declarados à Entidade para a Transparência.

“Ao contrário do que foi noticiado, a oposição não incidiu sobre 55 imóveis. Refere-se tão somente a seis imóveis urbanos que constituem a sua morada da residência habitual e as moradas de residências da família mais próxima. Esse pedido de oposição funda-se diretamente na lei e, por isso, foi deferido pela Entidade para a Transparência”, refere um comunicado emitido pelo gabinete de Luís Montenegro, em reação ao que classificou de “notícias incorretas e equívocas”.

O gabinete do chefe do Governo referiu que “o pedido apresentado à Entidade para a Transparência visou exclusivamente garantir a proteção de dados pessoais sensíveis que permitem identificar as moradas de habitação própria e da família do primeiro-ministro, tal como sucede com outros titulares de cargos políticos”, sustentando trata-se de uma questão de segurança.

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