Da Truth Social à energia do sol: Trump aposta milhares de milhões na fusão nuclear

Negócio, realizado integralmente em ações e anunciado esta semana, representa uma aposta ambiciosa num setor impulsionado pela crescente procura de eletricidade por parte de centros de dados associados à inteligência artificial

Francisco Laranjeira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a dar um passo inesperado no setor da energia de fusão, através de um acordo avaliado em cerca de 5,5 mil milhões de euros entre a sua empresa de redes sociais e a TAE Technologies, companhia apoiada pela Google.

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A operação surge poucos dias depois de representantes da indústria terem defendido um maior envolvimento financeiro do Estado americano neste tipo de energia, lembrou a agência ‘Reuters’.

O negócio, realizado integralmente em ações e anunciado esta semana, representa uma aposta ambiciosa num setor impulsionado pela crescente procura de eletricidade por parte de centros de dados associados à inteligência artificial. A operação alarga ainda o já diversificado portefólio empresarial da família Trump, que inclui interesses em áreas como criptomoedas, imobiliário e serviços móveis.

O renovado interesse pela energia nuclear tem sido alimentado pelo aumento do consumo energético da indústria tecnológica, levando à reativação de reatores desativados, à expansão de centrais existentes e à celebração de contratos para futuros pequenos reatores modulares. Ainda assim, apesar de décadas de investigação, a fusão nuclear continua sem produzir um reator comercialmente viável, mantendo-se como uma promessa de energia limpa e fiável por concretizar.

Fundada em 1998, a TAE Technologies trabalha há mais de uma década com a Google Research no desenvolvimento de tecnologias de fusão e conta com o apoio de grupos como a Chevron e a Sumitomo Corporation of Americas. Para além da fusão nuclear, a empresa opera também nas áreas de armazenamento de energia e das ciências biológicas, desenvolvendo soluções de radioterapia direcionada para o tratamento do cancro.

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Estrutura do negócio e impacto no mercado

Após a conclusão da operação, prevista para meados de 2026, os acionistas das duas empresas deterão cerca de 50% da nova entidade combinada. A Trump Media and Technology Group passará a funcionar como holding, integrando negócios como a plataforma Truth Social, a TAE Power Solutions e a TAE Life Sciences.

O anúncio teve um impacto imediato no mercado, com as ações da Trump Media a subirem cerca de 33% no pré-mercado. Ainda assim, a empresa acumula perdas significativas, tendo as ações caído perto de 70% desde o início do ano e atingido um mínimo histórico em novembro, depois de começarem a ser negociadas no Nasdaq em março de 2024. Analistas citados pela ‘Reuters’ consideram que a TAE poderá beneficiar de um forte apoio político, dada a ligação direta ao presidente americano.

O desafio tecnológico da fusão nuclear

A fusão nuclear procura reproduzir o processo que alimenta o sol, forçando átomos leves a unir-se sob temperaturas extremas para libertar grandes quantidades de energia. Os principais obstáculos continuam a ser a obtenção de mais energia do que aquela que é consumida na reação e o desenvolvimento de centrais capazes de sustentar reações contínuas para abastecer a rede elétrica.

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Este mês, o CEO da TAE, Michl Binderbauer, reuniu-se com responsáveis do Departamento de Energia dos EUA, poucas semanas depois de o organismo ter criado o seu primeiro gabinete dedicado à fusão nuclear. A empresa já angariou mais de 1,2 mil milhões de euros em financiamento privado e pretende desenvolver sistemas de feixe neutro mais económicos para aplicações de fusão.

No âmbito do acordo, a Trump Media comprometeu-se a fornecer até cerca de 184 milhões de euros em numerário à TAE na assinatura do contrato e mais cerca de 92 milhões de euros após o registo inicial. As duas empresas planeiam iniciar a construção da primeira central de fusão nuclear à escala comercial do mundo após a conclusão da fusão.

Devin Nunes, atual CEO da Trump Media, assumirá funções como co-CEO da nova empresa, a par de Binderbauer. O conselho de administração contará com nove membros, incluindo Nunes, Binderbauer e Donald Trump Jr. A Trump Media, cuja principal fonte de receitas é a publicidade na Truth Social, registou uma quebra nas receitas e um prejuízo próximo de 50 milhões de euros no terceiro trimestre terminado em setembro.

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