Dos alimentos à tecnologia, a escassez de gás está a prejudicar a fábrica do mundo, a China.
Neste momento, as linhas de abastecimento do setor naval estão congestionadas. As entregas de roupas e brinquedos estão atrasadas, ameaçando o vigor do Natal e da “Black Friday”.
“Se a escassez de eletricidade e os cortes de produção continuarem, as cadeias de abastecimento mundial começam a ficar comprometidas”, alertou Louis Kuijs, economista sénior para a Ásia da Oxford Economics.
A crise energética também coincide com o início de sua temporada de colheita na China, o que pode levar a um aumento do preço dos alimentos. Há agora temores de que a situação se agrave à medida que a China luta para gerir as culturas de milho, soja, amendoim e algodão.
Em setembro, os preços dos alimentos, em todo o mundo, subiram pelo segundo mês consecutivo para atingir um novo pico, desde há 10 anos, impulsionados sobretudo pela procura de cereais e óleos vegetais, informou, esta quinta-feira, a Organização para a Alimentação e a Agricultura da ONU (com a sigla anglo-saxónica FAO).
A instituição, com sede em Roma, previu ainda que 2021 bata um nove recorde no que toca à produção mundial de cereais. A organização estima que, até ao final do ano, sejam colhidas 2,800 mil milhões de toneladas, um pouco acima dos 2,788 mil milhões estimados há um mês. A partir de 2022, a FAO estima que este valor desça, mas ainda que se mantenha “num patamar confortável”.
O mundo da tecnologia também pode sofrer um impacto dramático, já que a China é a maior base de produção mundial de dispositivos, desde iPhones até consolas de jogos , além de ter grandes centros de montagem para chips semicondutores usados em carros e eletrodomésticos.
Várias empresas já sofreram algumas paralisações na atividade de suas instalações chinesas para cumprir as restrições locais. A Pegatron, uma das principais parceiras da Apple, disse há um mês que já estava tomar medidas face a esta situação, enquanto a ASE Technology Holding, a maior fábrica de chips do mundo, teve que interromper a produção durante vários dias.







