Bill Gates publicou uma carta de sete páginas sobre o papel da Inteligência Artificial (IA) hoje e no futuro. Para o fundador da Microsoft, o desenvolvimento da IA “é tão fundamental quanto a criação do microprocessador, do computador pessoal, da internet e do telemóvel”.
A carta, intitulada “A era da IA começou”, surgiu no mesmo dia em que o Google lançou o seu chatbot da IA (Bard), que assim se junta ao Bing da Microsoft e uma semana depois de a OpenAI, criadora do ChatGPT, ter anunciada a tão esperada evolução do seu modelo de IA, GPT-4.
Bill Gates não esconde o entusiasmo com o futuro da IA, embora sem esconder as suas preocupações, incluindo o risco de que os humanos o possam usar mal, bem como a possibilidade de IA superinteligente, ou “forte”, que poderia “estabelecer os seus próprios objetivos”.
A IA pode ser usada como ferramenta para melhorar a produtividade das pessoas e ajudar a melhorar as desigualdades globais – no local de trabalho, na saúde e na educação. Assim, Bill Gates escreveu sobre como a IA pode ser usada de forma profissional como um “assistente pessoal digital” para aumentar a produtividade: a IA, integrada a ferramentas de trabalho digitais, pode ajudar a gerenciar e escrever emails.
“À medida que o poder de computação fica mais barato, a capacidade do GPT de expressar ideias será cada vez mais como ter um trabalhador de colarinho branco disponível para ajudá-lo em várias tarefas”, escreveu.
No sector da saúde, o cofundador da Microsoft apontou que a IA poderia libertar os profissionais de saúde de certas tarefas, incluindo preencher pedidos de seguro, preencher papeladas e redigir notas de visitas médicas, o que permite tornarem-se ser mais produtivos: pode também ajudar no tratamento de pacientes que não moram perto da unidade de saúde.
A IA já é usada na área da saúde para analisar dados médicos e projetar medicamentos, escreveu Gates, mas a próxima onda de ferramentas de IA pode ajudar a prever os efeitos colaterais dos medicamentos e calcular os níveis de dosagem. Na agricultura, a IA pode tornar-se importante para ajudar a projetar sementes adaptadas aos climas locais, assim como no desenvolvimento vacinas para o gado.
Bill Gates frisou ainda que a IA poderia transformar a educação nos próximos 5 e 10 anos, fornecendo conteúdo adaptado ao estilo de aprendizagem de um aluno. Os professores não vão embora mas vão precisar de se adaptar, referiu Gates. “Mesmo quando a tecnologia for aperfeiçoada, o aprendizado ainda vai depender de um bom relacionamento entre alunos e professores”, pode ler-se na carta. “Irá melhorar – mas nunca substituir – o trabalho que alunos e professores fazem juntos na sala de aula.”
Os professores também terão de se adaptar aos alunos que usam novas tecnologias em sala de aula, como o GPT. “Para aproveitar ao máximo essa notável nova tecnologia, precisaremos de nos proteger contra os riscos e espalhar os benefícios para o maior número possível de pessoas”, finalizou Gates.













