Dá Positivo?

Por Maria João Guedes, Professora do ISEG, Universidade de Lisboa, co-coordenadora do Women on Boards – Portugal e do XLAB-Behavioural Research Lab

O acesso e disponibilidade de recursos que cada um de nós dispõe, quer seja dinheiro, bens, serviços, informação, status, entre outros, afeta a natureza dos nossos relacionamentos. Assim, de acordo com a teoria dos recursos (iniciada com o trabalho de Uriel Foa em 1971), raramente as necessidades individuais são satisfeitas isoladamente e é através das iterações e relacionamentos sociais que temos acesso aos meios pelos quais podemos obter os recursos necessários à satisfação das necessidades. Evidentemente, quem dispõe de mais recursos tem mais opções para satisfazer as suas necessidades.

Também nas empresas, é o acesso aos recursos necessários que permite satisfazer as suas necessidades e assegurar a continuidade. Os recursos à disposição das empresas são múltiplos e variados, mas geralmente são agregados em três tipos: recursos materiais, recursos financeiros e recursos humanos.  Em particular, os recursos humanos são essenciais para obter outros recursos e alcançar vantagens competitivas. No entanto, nem todo o potencial dos recursos humanos é explorado. Uma característica que raramente é considerada é a atitude e comportamento positivo dos trabalhadores em relação ao trabalho. Ou seja, o seu capital psicológico positivo. Assim, os aspetos psicológicos positivos de cada um podem constituir um recurso valioso a nível organizacional e, como tal, não devem ser deixado de lado. Os estudos feitos até ao momento mostram que, por exemplo, se os trabalhadores partilham de uma atitude positiva, o ambiente organizacional é mais cooperativo e tolerante, traduzindo-se em maior satisfação e bem-estar. Os trabalhadores são (e estão) mais confiantes para empreenderam as suas atividades e apresentam maior abertura para novos desafios. Estão mais disponíveis, flexíveis e otimistas em relação ao futuro. De igual modo, sentem-se mais preparados e resilientes perante as adversidades.

Naturalmente, as organizações também beneficiam. Por exemplo, o absentismo é menor, há menos conflitos, menos erros e uma maior produtividade. Ou seja, o capital psicológico positivo tem efeitos nos resultados que a empresa pode alcançar e, ultimamente, pode traduzir-se em vantagens competitivas e melhor desempenho.

Assim, as empresas devem levar em consideração estes recursos positivos. O capital psicológico é um recurso que não deve ficar em segundo plano. Tal como acontece com os recursos materiais e financeiros, também esta vertente dos recursos humanos deve ser integrada na estratégia da empresa e ser desenvolvida de modo a continuar a contribuir para o sucesso das empresas.

Boas festas e um novo ano muito Positivo!

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