Da guerra eletrónica aos submarinos nucleares: Quem é quem na indústria da defesa europeia?

A Comissão Europeia estima que o novo plano de defesa mobilize até 800 mil milhões de euros. Deste montante, 150 mil milhões serão concedidos como empréstimos garantidos pelo orçamento da União Europeia, enquanto os restantes 650 mil milhões resultarão de investimentos privados e públicos num período de quatro anos.

Pedro Gonçalves
Março 10, 2025
11:56

A indústria de defesa europeia tem estado em destaque desde 24 de fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão da Ucrânia. Desde então, o setor tornou-se um elemento central na agenda política e económica do continente, e a sua relevância tem vindo a crescer, especialmente nos últimos tempos. A necessidade de “rearmar a Europa” face à “ameaça existencial” representada pela agressão russa levou a Comissão Europeia e alguns estados-membros, como a Alemanha, a delinearem estratégias de investimento sem precedentes no setor da defesa. A recente mudança na política internacional dos Estados Unidos, com o regresso de Donald Trump à Casa Branca, aumentou ainda mais a urgência destas medidas.

A Comissão Europeia estima que o novo plano de defesa mobilize até 800 mil milhões de euros. Deste montante, 150 mil milhões serão concedidos como empréstimos garantidos pelo orçamento da União Europeia, enquanto os restantes 650 mil milhões resultarão de investimentos privados e públicos num período de quatro anos.

Este aumento substancial nos investimentos impulsionou a valorização das empresas do setor. O índice europeu de defesa registou um crescimento superior a 34% em 2025, alcançando máximos históricos. Algumas empresas viram as suas ações valorizarem-se quase 100% apenas este ano. Mas quais são as grandes corporações que lideram o mercado da defesa no continente?

Principais empresas da indústria de defesa europeia

Rheinmetall (Alemanha)

Com sede em Düsseldorf, a Rheinmetall é uma das maiores fabricantes de equipamentos militares da Europa. Entre os seus principais produtos estão o tanque de combate KF51 Panther, o obus autopropulsado PzH 2000 e componentes para o tanque Leopard. A empresa também desenvolve sistemas de defesa antiaérea, guerra eletrónica e sistemas de controlo de tiro. Desde o início da guerra na Ucrânia, as suas ações valorizaram-se em 1.139%, e em 2025 cresceram 95% nos primeiros meses do ano.

Leonardo (Itália)

A Leonardo é um dos pilares da indústria aeroespacial europeia. Participa no desenvolvimento do caça Eurofighter Typhoon e fabrica aeronaves de transporte e helicópteros militares e civis. A empresa também produz sistemas de armamento, como canhões navais. Desde 2022, a Leonardo viu o seu valor de mercado aumentar 605%, atingindo 27 mil milhões de euros. Em 2025, registou um crescimento de 78%.

Thales (França)

Especialista em sensores avançados, guerra eletrónica e comunicação segura, a Thales desempenha um papel fundamental na defesa francesa. Desenvolve radares para sistemas antiaéreos, avionicá e satélites de observação. Desde 2022, o seu valor de mercado quase duplicou, atingindo 50 mil milhões de euros.

Airbus (Pan-europeia)

A Airbus Defence and Space é responsável pelo Eurofighter Typhoon, os aviões A400M e C-295, e o reabastecedor A330 MRTT. Também lidera o projeto do caça FCAS, previsto para substituir o Eurofighter. Com uma capitalização de 137 mil milhões de euros, a Airbus teve um crescimento modesto de 56% desde 2022.

Indra (Espanha)

A Indra é a principal empresa de defesa espanhola, destacando-se na tecnologia de radares, sistemas de vigilância e guerra eletrónica. Recentemente, integrou a Hispasat, expandindo-se para o setor espacial. Em 2025, é a empresa do Íbex 35 com maior crescimento, registando uma subida de 52%.

BAE Systems (Reino Unido)

A BAE Systems é a maior empresa de defesa do Reino Unido e participa em projetos como o Eurofighter Typhoon e o F-35. A sua divisão naval é responsável pelos submarinos nucleares das classes Astute e Dreadnought. A empresa valorizou-se 172% desde 2022 e, em 2025, subiu 37%.

MBDA (Pan-europeia)

Especialista em mísseis, a MBDA desenvolveu o Meteor (ar-ar), Storm Shadow (ar-superfície) e o sistema antiaéreo SAMP-T. Embora não esteja cotada em bolsa, é líder na sua área.

Dassault Aviation (França)

A Dassault produz o caça Rafale e está envolvida no FCAS. A sua valorização em 2025 ultrapassa os 50%.

Naval Group (França)

Focada na construção de submarinos e fragatas, é responsável pelos modelos Barracuda e Scorpène.

Safran (França)

Fabricante de motores aeronáuticos, produz propulsores para o Airbus A400M e o Rafale. O seu valor de mercado é de 110 mil milhões de euros.

Saab (Suécia)

Conhecida pelo caça Gripen, a Saab também desenvolve submarinos e sistemas de defesa aérea. Desde 2022, a empresa sextuplicou de valor e em 2025 cresceu mais de 60%.

O futuro da indústria de defesa europeia

O professor Julio Guinea, da Universidade Europeia, destaca ao El Español que a Europa precisa de um setor de defesa “pujante” para aumentar a sua resiliência. No entanto, critica o plano da Comissão Europeia, considerando que os 150 mil milhões de euros anunciados são “insignificantes” face às necessidades. “Vai resultar num aumento da dívida dos Estados-membros e numa maior pressão fiscal”, alerta.

Para as empresas de defesa, porém, este é um período de crescimento acelerado. “Esta é uma era dourada para a indústria”, afirma Guinea, prevendo que o setor continuará a receber investimentos maciços nos próximos anos.

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