Da guerra à evolução da economia chinesa: Banco de Portugal aponta os principais riscos para a estabilidade financeira de Portugal

O Banco de Portugal apresentou hoje o relatório da Estabilidade Financeira (REF) relativo a novembro de 2022. Nele a principal instituição bancária do país define que os principais riscos para a estabilidade financeira de Portugal se relacionam com “a invasão da Ucrânia e a evolução económica na China com impacto sobre a atividade económica e a inflação”.

Sublinha ainda que “a intensificação das tensões geopolíticas materializou-se num reforço das pressões inflacionistas, em particular através do aumento dos custos da energia e dos bens alimentares que se repercutem nos preços de outros bens e serviços”. Somam-se a estes fatores a normalização mais rápida da política monetária em resposta ao aumento da inflação.

Apontam, além disso, que neste momento existe uma “baixa confiança dos diversos agentes económicos afeta as perspetivas de crescimento económico”, sendo que estes fatores, quando conjugados, afetam de forma “substancial” a volatilidade dos mercados financeiros internacionais.

O regulador enumera assim seis “vulnerabilidades e riscos para a estabilidade financeira”, entre eles: “o risco de uma reavaliação adicional dos prémios de risco” e “a trajetória de redução de endividamento público” que pode ser desafiada pelo aumento das despesas com juros e pelo abrandamento real e nominal da economia.

A estes juntam-se “a desaceleração económica e a subida da inflação, conjugadas com aumentos adicionais das taxas de juro de mercado” que poderão deteriorar a situação financeira dos particulares, bem como a “materialização do risco de crédito associado à exposição do setor bancário às empresas mais afetadas pela pandemia e/ou pelo aumento dos custos de energia e matérias-primas, com menor poder de mercado e com uma estrutura de balanço mais frágil”.

Destacam, por fim, o “risco de redução dos preços no mercado imobiliário residencial” e “uma inflação elevada e persistente, um aumento abrupto das taxas de juro e um abrandamento forte da atividade económica são os principais fatores de risco para o setor bancário, via risco de crédito e risco de mercado”.

O regulador avisa ainda que paralelamente a estes riscos, deverão também ser considerados desafios mais estruturais tendo em conta as implicações nos fluxos económicos e financeiros e nos custos de produção como: a transição climática, a transformação digital e a alteração no processo de globalização económica e financeira.

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