Vários estudos divulgados nos últimos meses, dão conta de diversas sequelas deixadas pela Covid-19, que já infectou mais de 22 milhões de pessoas em todo o mundo e causou ainda mais de 781 mil vítimas mortais.
Já é do conhecimento geral que o vírus pode fazer com que alguns sintomas persistam a logo prazo, nomeadamente problemas pulmonares, cardíacos, intestinais, cardio-vasculares e cerebrais. Agora a ‘BBC’ publicou uma lista das outras sequelas que a infeção pode deixar no corpo humano. Saiba quais.
Falta de ar ou dificuldade respiratória
São já muitos os pacientes que têm relatado sintomas de cansaço ou falta de ar, depois de terem estado hospitalizados com a Covid-19, tal como confirma o pneumologista Gustavo Prado, do hospital Oswaldo Cruz, na Alemanha, citado pela ‘BBC’.
Um estudo chinês sobre a função pulmonar dos pacientes recuperados, realizado em Abril, mostrou que os danos nos pulmões eram uma das consequências verificadas, mesmo nos utentes com casos menos graves da doença.
Um outro estudo mais recente publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA), concluiu que dos 142 pacientes avaliados em Itália, apenas 12,6% tinha sido internados em unidades de cuidados intensivos, noentanto mais de 87% tinham pelo menos um sintoma, nomeadamente falta de ar.
Fibrose pulmonar
Nos casos mais graves da doença, a fibrose pulmonar, uma doença crónica caracterizada pela formação de cicatrizes no tecido pulmonar, pode verificar-se. «A cicatriz preenche o espaço, mas não tem a mesma elasticidade, as mesmas características do tecido original», explica Prado, citado pela ‘BBC’.
Esta condição clínica pode ser causada pela inflamação intensa e generalizada que o organismo provoca para tentar expelir o vírus do corpo, mas também pode ser resultado do próprio tratamento, quando o paciente é intubado, por exemplo.
«Apesar de necessária na síndrome respiratória grave, a ventilação não adequada pode causar exaustão sobre tecidos pulmonares, derivado a uma distensão exagerada, pela manutenção de pressões altas no enchimento do pulmões ou pela oferta de oxigénio exagerada», segundo Prado.
Síndrome Pós Cuidados Intensivos
Esta não é uma característica exclusiva da Covid-19, acontece em todas as infecções mais graves. Contudo, neste caso em concreto, o intervalo de internamento dos pacientes infectados pelo novo coronavírus é habitualmente maior, o que aumenta a probabilidade deste tipo de sequela.
«Os pacientes ficam muito tempo intubados, ou em oxigenação por membrana extracorporal, que consiste no uso de uma máquina que realiza a função do coração e pulmões e bombeia o sangue», explica a pneumologista e investigadora da Fiocruz, Margareth Dalcolmo, citada pela ‘BBC’.
Os sintomas vão desde a perda de força muscular, alterações da sensibilidade e da força motora por disfunção dos nervos, bem como depressão, ansiedade, alterações cognitivas, falhas de memória e da capacidade de raciocínio.
O artigo da ‘BBC’ revela ainda que o vírus pode afectar de forma permanente os rins e o coração, depois de um estudo recente realizado na Alemanha ter concluído que, entre 100 pacientes recuperados, 78% apresentaram algum tipo de anomalia no coração mais de dois meses após a alta.
No caso dos rins, as evidências mostram uma incidência elevada de falência entre os casos mais graves de covid-19. Um outro estudo revelou que entre 1 de Março e 5 de Abril, de 5.449 pacientes, mais de um terço, 1.993, desenvolveram insuficiência renal aguda.
Para além disto a doença pode afectar as funções do cérebro, desde a confusão mental e dificuldade cognitiva ao delírio. Um estudo recente da University College London deu conta de um caso raro e grave de encefalite que tem afectado alguns pacientes com Covid, a encefalomielite aguda disseminada.
Outra complicação derivada da Covid-19 tem que ver com o sistema vascular, nomeadamente a ocorrência de acidentes vasculares cerebrais (AVC). O vírus aumenta a tendência de coagulação do sangue.
A coagulação sem precedentes pode conduzir a um tromboembolismo venoso, ou seja, o bloqueio de uma via sanguínea, que pode acabar a causar um AVC, embolia pulmonar ou a necrose de extremidades, levando à necessidade de amputação.













