As aulas podem começar apenas às 9 horas, mas há crianças que já estão na escola duas horas antes e que só regressam a casa ao início da noite. Perante horários de trabalho cada vez mais difíceis de conciliar com os horários escolares, um número crescente de municípios está a abrir as escolas mais cedo e a mantê-las abertas até mais tarde.
Segundo uma análise do ‘Jornal de Notícias‘ (JN), metade dos municípios portugueses já disponibiliza acompanhamento até ao final do dia para crianças do Pré-Escolar e do Primeiro Ciclo. Entre estes, quase todos permitem também que as crianças sejam acolhidas a partir das 7.30 horas, cerca de uma hora e meia antes do início das aulas.
E há casos que vão bastante além deste horário.
Em Odivelas, o prolongamento pode chegar às 19 horas; em Gaia, existem atividades lúdicas, desportivas e apoio ao estudo até às 19.30 horas; e em Mogadouro o acompanhamento pode ser prolongado até às 20 horas, quando as necessidades das famílias o justificam.
Vila Franca de Xira apresenta um dos horários mais extensos identificados pelo JN: as atividades podem decorrer entre as 7 e as 20 horas. Palmela também começa a receber crianças às 7 horas.
Horário escolar já não chega para muitos pais
O conceito de escola a tempo inteiro levou ao prolongamento do funcionamento das escolas do Primeiro Ciclo até às 17 horas, mas esse horário deixou de ser suficiente para muitas famílias.
Os municípios ouvidos pelo ‘JN’ apontam precisamente para a dificuldade crescente de conciliar a escola com a vida profissional. Há pais que trabalham por turnos, entram muito cedo ou terminam o dia mais tarde e famílias sem avós ou outros familiares que possam assegurar o acompanhamento das crianças.
Mesmo um horário de trabalho considerado normal pode prolongar-se para lá das 17 horas, deixando um intervalo entre o encerramento das atividades escolares e a saída dos pais do emprego.
É para preencher esse espaço que as autarquias têm vindo a reforçar as Atividades de Animação e Apoio à Família (AAAF), destinadas ao Pré-Escolar, e a Componente de Apoio à Família (CAF), para alunos do Primeiro Ciclo.
As respostas podem ser asseguradas diretamente pelos municípios ou através de associações de pais, instituições particulares de solidariedade social e outras entidades.
De quatro a 125 euros por mês
Na maioria dos municípios, o prolongamento é pago, embora existam reduções para crianças dos escalões A e B da Ação Social Escolar.
De acordo com o levantamento do JN, os preços variam entre quatro e 125 euros mensais. O montante depende do município, da idade da criança e também do período utilizado: manhã, tarde ou ambos.
Em Valongo, por exemplo, os preços das AAAF variam entre quatro e 35 euros mensais, enquanto a CAF custa entre 7,50 e 40 euros.
A autarquia considera que estas respostas funcionam também como apoio à classe média, uma vez que os valores são inferiores aos praticados por ATL privados e centros de estudo.
Dezenas de municípios mantêm escolas abertas até às 19h
Mangualde, Mafra, Lousã, Maia, Moita, Valongo, Vila do Conde, Vizela, Vila Verde, Torres Vedras, Santo Tirso, Ovar, Santa Maria da Feira, São Pedro do Sul, Trofa, Barreiro, Vila Nova de Famalicão, Mealhada e Olhão estão entre os municípios onde as escolas podem receber crianças às 7.30 horas e acompanhá-las até às 19 horas.
Na Lousã, a Câmara explica ao JN que o objetivo passa por assegurar o acompanhamento para além das aulas, proporcionando simultaneamente espaços seguros e atividades adequadas à idade das crianças.
Em Leiria, os horários são ajustados às necessidades concretas das famílias. Em alguns casos, o acompanhamento decorre entre as 7.30 e as 9 horas e, depois das aulas, entre as 15.30 e as 19.30 horas. A situação mais comum, contudo, é começar às 8.30 horas e terminar às 19 horas.
Há famílias que podem pedir acompanhamento até às 20h
Mogadouro permite que as famílias solicitem acompanhamento até às 20 horas, embora nos últimos anos letivos o programa tenha funcionado habitualmente entre as 8 e as 18.30 horas.
“O horário é definido em estreita articulação com os pais”, explicou a autarquia ao JN.
Também existem diferenças entre níveis de ensino. Em Mondim de Basto, por exemplo, as atividades para os alunos do Primeiro Ciclo prolongam-se até às 19 horas, enquanto no Pré-Escolar terminam às 18 horas. Em Condeixa, os horários terminam às 19 e às 18.30 horas, respetivamente.
Há municípios onde famílias não pagam
Nem todas as famílias têm, contudo, de suportar estes custos.
Elvas, Mesão Frio, Mondim de Basto, Mértola, Mourão, Vila Viçosa, Ponte de Sor, Almeida, Albufeira e Castelo Branco estão entre os municípios que, segundo o JN, asseguram gratuitamente estas atividades tanto para o Pré-Escolar como para o Primeiro Ciclo.
São João da Pesqueira, Vila Nova de Foz Côa, Serpa, Viana do Alentejo, Viana do Castelo e Paredes de Coura garantem gratuitamente o prolongamento para crianças do Pré-Escolar, enquanto em Mogadouro e na Chamusca não existe encargo para as famílias no caso dos alunos do Primeiro Ciclo.
A tendência mostra como o tradicional horário da escola está a adaptar-se a uma realidade familiar diferente. Para muitos pais, já não basta ter onde deixar os filhos durante as aulas: é necessário encontrar uma resposta para as horas que começam antes de a escola tocar e continuam muito depois de as aulas terminarem.


















