Da cultura à restauração. As reações dos vários setores às medidas do novo Estado de Emergência

O Governo anunciou ontem que Portugal vai entrar já amanhã num novo Estado de Emergência, que implica um confinamento geral muito semelhante ao que aconteceu em março de 2020. De forma geral, todo o comércio fecha, menos os consultórios, tribunais e hipermercados. A grande novidade são as escolas que continuam abertas.

Leia agora as reações dos vários setores de atividade às novas medidas impostas para controlar a evolução da crise de saúde pública.

Cultura

Estruturas representativas do setor da Cultura defendem mais e melhores medidas de apoio de emergência para fazer face ao novo encerramento dos equipamentos culturais, anunciado ontem pelo Governo, no âmbito das medidas para tentar conter a pandemia da covid-19.

Os equipamentos culturais terão de encerrar a partir das 00:00 de sexta-feira, em Portugal Continental, tal como aconteceu em março do ano passado.

“Continuamos a defender que aquilo que é fundamental são as medidas de emergência para o setor: o reforço dos valores e o reforço das medidas, que se têm revelado manifestamente insuficientes nas suas diversas formas”, afirmou o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos, do Audiovisual e dos Músicos (Cena-STE) Rui Galveias, em declarações à Lusa.

Por sua vez, o presidente da Associação Portuguesa de Museologia (APOM), João Neto, considerou “um contrassenso” a decisão do Governo de fechar museus e monumentos, e manter as escolas abertas, no quadro das novas medidas para conter a pandemia.

Contactado pela agência Lusa, o presidente da APOM considerou que a medida anunciada para o setor da Cultura representa “um momento difícil para todos os museus, palácios e monumentos do país”, que foram fortemente afetados com a quebra de visitantes, na ordem de mais de 70%.

“O número de pessoas que vai continuar a circular nos vários níveis de ensino é muito superior ao dos visitantes dos museus e monumentos, portanto não entendo este encerramento”, comentou o presidente da direção da APOM.

Promotores de espetáculos

O encerramento de equipamentos culturais devido ao novo confinamento é o agravar de uma tragédia, disse à agência Lusa o promotor Álvaro Covões, da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE).

“Trabalhamos num setor que não funciona em ‘take-away’, teletrabalho ou ‘delivery'”, disse Álvaro Covões, sublinhando que o setor da cultura necessita de “uma bazuca” de apoios. “Estamos a reunir números, porque as vendas de faturação de dezembro fecharam há dois dias, mas tudo indica que a nossa quebra em 2020 foi de 80%”, frisou.

“Apesar de se pensar que o setor cultural podia trabalhar, a verdade é que, desde junho, os equipamentos culturais estão limitados a lotações de 50%”, acrescentou. “Estamos a viver uma coisa sem precedentes no nosso setor”, concluiu Álvaro Covões, sublinhando que a direção da APEFE só se irá reunir hoje à noite, para discutir as propostas do Governo.

Futebol 

O presidente da Liga de clubes, Pedro Proença, congratulou-se pela decisão do Governo português em manter a atividade do futebol profissional durante o novo confinamento devido à pandemia de covid-19.

“Esta acaba por ser a decisão mais sensata e legítima, corolário de toda uma atitude responsável, rigorosa e previdente adotada pela Liga Portugal e pelos seus clubes e profissionais”, escreveu o líder do organismo na rede social Facebook.

Confirmando a nossa firme convicção, o Futebol Profissional vai prosseguir a sua atividade, apesar do novo período de…

Publicado por Pedro Proença – Presidente da Liga Portugal em Quarta-feira, 13 de janeiro de 2021

 

E acrescenta: “Foi este, de resto, e em diálogo permanente com as autoridades sanitárias e governamentais, o desígnio assumido transversalmente desde o início pelo futebol profissional: testar, prevenir, proteger.”

Pedro Proença salienta que o “comportamento absolutamente exemplar e todas as medidas adotadas para manter em segurança todos os envolvidos [nas três competições profissionais]”, acabaram por ser determinantes para autorizar a continuação da atividade.

Educação

O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira, defendeu ontem a necessidade de reduzir as turmas e de testar “todos os contactos próximos” de casos positivos de covid-19.

“Não há dúvida nenhuma que o ensino presencial é preferível ao ensino à distância”, afirmou Mário Nogueira, pedindo que se encontre “forma de criar turmas mais pequenas para garantir o distanciamento” físico.

O dirigente da Fenprof falava em conferência de imprensa virtual após o anúncio das medidas do novo confinamento geral que mantêm em funcionamento todos os estabelecimentos de ensino. Mário Nogueira considerou a decisão do Governo de manter todos os escalões de ensino ativos em regime presencial acertada desde que tenha em conta a opinião dos especialistas.

Já o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) defendeu que são precisas medidas para garantir a segurança dos profissionais que trabalham nas escolas, que irão permanecer abertas.

Em declarações à Lusa, o SIPE anunciou que iria exigir um conjunto de medidas ao Governo entre as quais, precisamente a realização de testes rápidos nas escolas. Fazer com que os que trabalha nas escolas passe a fazer parte dos grupos prioritários no acesso à vacina contra a covid-19 é outra das exigências do sindicato.

O presidente da Associação Nacional de Diretores Escolares (ANDE), Manuel Pereira, disse à Lusa não estar surpreendido com a medida, uma vez que os diretores foram auscultados antes da tomada de decisão.

“Para nós não foi surpresa a decisão do Governo. Além disso, temos consciência de que o trabalho fantástico de professores, diretores e assistentes operacionais resultou na segurança das escolas”, afirmou Manuel Pereira.

O presidente da ANDE lamentou apenas que os profissionais escolares não venham a fazer parte dos grupos prioritários da vacinação contra a covid-19, considerando que tanto os professores como os restantes funcionários são “grupos profissionais envelhecidos” e por isso “o primeiro-ministro poderia ter considerado os professores e assistentes como prioritários”.

Restauração

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) vai propor ao Governo medidas para proteger as empresas, face às novas restrições devido à pandemia, como o reforço dos apoios a fundo perdido, foi hoje anunciado.

“A AHRESP vai enviar de imediato ao Governo uma proposta de novas medidas que visam proteger as empresas e o emprego nos próximos meses”, lê-se no boletim diário da associação. A proposta da AHRESP tem em vista, por exemplo, o reforço dos apoios a fundo perdido e a intensificação do programa de apoio às rendas.

Para a AHRESP, tendo em conta as novas restrições hoje anunciadas pelo primeiro-ministro, António Costa, perante o agravamento da pandemia de covid-19, “impõe-se um novo quadro de apoio às empresas de restauração, similares e do alojamento local”.

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