Em plena campanha eleitoral para as legislativas, a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, assinou um contrato-relâmpago de assessoria com António Cunha Vaz, histórico consultor de comunicação ligado ao PSD. O contrato foi firmado a 6 de maio, com o Governo em gestão, e prevê serviços de consultoria e assessoria de comunicação por 16 mil euros, para um período inferior a dois meses — até 30 de junho, estando ainda em vigor.
De acordo com o contrato, noticiado pela revista Sábado, a empresa CVA Europe, detida por Cunha Vaz e pelo grupo Havas, compromete-se a prestar “apoio em gestão de crises, nomeadamente dos media”, “apoio no relacionamento comunicacional com jornalistas”, e ainda “mediação na organização de encontros individuais com jornalistas, editores e diretores de meios de comunicação social”, entre outros serviços relacionados com comunicação governativa.
Ana Paula Martins, que encabeçava a lista da AD em Vila Real, foi, a par da ministra da Administração Interna, Margarida Blasco, uma das governantes mais expostas mediaticamente no primeiro Governo de Luís Montenegro, devido aos problemas no sector da Saúde. Ainda em novembro, o Observador avançava que Cunha Vaz estava a colaborar informalmente com os ministérios da Saúde e da Administração Interna. Aliás, num artigo anterior intitulado “António Cunha Vaz, o conselheiro fantasma do Governo”, a Sábado revelava que Cunha Vaz já havia dado a Ana Paula Martins uma formação “a título pessoal” sobre a relação com os media — sem custos, segundo fonte do Ministério.
Questionada agora pela Sábado se este contrato seria uma forma de retribuir essa formação prévia, a ministra da Saúde optou por não responder. Também Cunha Vaz recusou prestar declarações sobre o tema. A mesma publicação refere ainda que colaboradores da CVA têm sido vistos com frequência na Presidência do Conselho de Ministros, com uma fonte descrevendo: “Passeiam-se pela sede do Governo como se fossem a cavalaria”.
Apesar de afirmar anteriormente que trabalhava “informalmente”, Cunha Vaz já registou este ano uma subida significativa nos contratos públicos. Depois de faturar 79 mil euros com o Estado em 2024, em declarações durante um evento em dezembro passado — citadas pelo Eco — o consultor anunciava ambições: “O que fiz este ano foi semear. Para o ano, outro galo cantará e a minha faturação que vem do Estado irá crescer”. No primeiro semestre de 2025, a CVA Europe já arrecadou 234.700 euros em contratos públicos, segundo dados do portal Base — um aumento de 300% face ao ano anterior.
Além do contrato com o Ministério da Saúde e com a Direção Executiva do SNS, a empresa assegurou contratos com o Instituto da Mobilidade e dos Transportes (63.900 euros), o IAPMEI (60 mil euros) e a Câmara Municipal do Funchal (28 mil euros), todos liderados ou tutelados por responsáveis próximos do PSD.














