O cruzeiro MV Hondius chega este domingo a Tenerife, nas Canárias, depois de um alerta sanitário provocado por um surto de hantavírus a bordo.
O navio, que partiu da Argentina a 1 de abril e seguia com destino a Cabo Verde, transporta quase 150 passageiros e tripulantes de 23 nacionalidades.
As autoridades espanholas confirmaram oito casos de infeção e três mortes associadas ao surto.
A embarcação não deverá atracar diretamente no porto. O plano das autoridades espanholas passa por manter o navio fundeado ao largo de Tenerife e transferir os passageiros sob fortes medidas de segurança sanitária.
A chegada está prevista para o porto de Granadilla, na manhã deste domingo.
Segundo o ministro espanhol da Política Territorial, Ángel Víctor Torres, haverá aviões disponíveis ainda este domingo para iniciar o repatriamento dos passageiros.
“Teremos aviões disponíveis no mesmo dia e poderemos começar a repatriar essas pessoas”, afirmou o governante.
Passageiros seguem para o aeroporto
O plano operacional prevê que os passageiros sejam transportados em pequenas embarcações até ao porto industrial de Granadilla.
Depois, deverão seguir de autocarro para o aeroporto de Tenerife Sul, de onde serão repatriados para os respetivos países.
O governo dos Estados Unidos já anunciou que está a organizar um voo para retirar os cidadãos americanos que seguem a bordo.
“O Departamento de Estado está a organizar um voo de repatriação para facilitar o regresso seguro dos passageiros americanos a bordo deste navio”, afirmou um porta-voz.
Durante esta semana, três passageiros doentes tinham sido retirados do navio ao largo de Cabo Verde, numa operação de emergência que levou à ativação de protocolos sanitários especiais.
Apesar do surto, as autoridades indicam que a maioria dos passageiros a bordo não apresenta sintomas graves.
Preocupação entre habitantes de Tenerife
A chegada do MV Hondius está a gerar inquietação entre habitantes de Tenerife.
Alguns moradores receiam que a operação possa pressionar os serviços de saúde da ilha, numa altura em que os hospitais já enfrentam constrangimentos.
“Tendo em conta que o nosso hospital está sempre lotado, não estamos preparados para enfrentar um problema destes”, afirmou uma residente.
Outros habitantes questionam a decisão de encaminhar o navio para as Canárias, recordando a experiência recente da pandemia de covid-19.
“Porque motivo escolher as Canárias? Não há outros sítios para atracar o barco?”, perguntou outro morador.
OMS afasta cenário de pandemia
Apesar da preocupação, a Organização Mundial de Saúde procura tranquilizar a comunidade internacional.
Maria Van Kerkhove, responsável pelo Departamento de Prevenção e Preparação para Epidemias e Pandemias da OMS, afirmou que novos casos são “possíveis”, mas que o surto deverá manter-se “limitado” se forem aplicadas as medidas de saúde pública adequadas.
“Este não é o início de uma pandemia”, sublinhou.
As autoridades sanitárias espanholas acompanham a situação em coordenação com serviços internacionais de saúde pública.
O trabalho passa pelo isolamento, pela vigilância de sintomas e pelo rastreio dos movimentos dos passageiros que desembarcaram nos últimos dias.
Espanha investiga caso suspeito em Alicante
As autoridades espanholas investigam também um caso suspeito no país.
Uma mulher da província de Alicante apresenta sintomas compatíveis com hantavírus, segundo o secretário de Estado da Saúde espanhol, Javier Padilla.
A mulher terá viajado no mesmo voo que uma passageira que morreu na África do Sul depois de ter estado a bordo do MV Hondius e contraído o vírus.
As autoridades aguardam confirmação laboratorial para determinar se se trata ou não de uma infeção por hantavírus.
O que é o hantavírus?
O hantavírus é uma doença rara, normalmente associada ao contacto com roedores silvestres infetados ou com os seus excrementos.
A transmissão pode ocorrer através da urina, saliva ou fezes de roedores, bem como pela inalação de partículas contaminadas em locais onde exista grande concentração de excrementos.
A doença pode provocar febre, complicações respiratórias graves e, em alguns casos, febres hemorrágicas.
A transmissão entre humanos é considerada pouco frequente, mas a estirpe associada ao vírus dos Andes exige vigilância particular, sobretudo em contextos de contacto próximo e prolongado.
No caso do MV Hondius, o facto de se tratar de um navio de cruzeiro aumenta a preocupação das autoridades, devido ao ambiente fechado, à convivência prolongada entre passageiros e à circulação internacional de pessoas.
Três mortos associados ao surto
As três vítimas mortais associadas ao surto no MV Hondius eram um casal holandês e uma mulher alemã.
O navio ganhou atenção internacional depois da confirmação das mortes e da retirada de passageiros doentes antes da chegada às Canárias.
As autoridades sanitárias procuram agora reconstruir os contactos e deslocações dos passageiros que desembarcaram nos últimos dias, para identificar possíveis infeções ou contactos próximos.
A operação deste domingo em Tenerife será, por isso, decisiva para conter o surto, garantir o repatriamento seguro dos passageiros e responder à preocupação das autoridades locais e internacionais.












