Provocação de Cristiano Ronaldo durante o Euro 2020 prejudicou a Coca-Cola? “Nem por isso”, responde CFO da marca

O CFO da Coca-Cola, John Murphy, fez questão de salientar hoje, em entrevista à imprensa norte-americana, que o facto do internacional português ter retirado duas garrafas de Coca-Cola da mesa da sala de imprensa, durante a antevisão do jogo com a Hungria no Euro 2020, em junho, não prejudicou em nada as receitas da marca.

“Nenhum dos nossos compromissos ou parcerias com as grandes competições não foram afetados por este evento”, explicou Murphy.

O executivo fez ainda questão de esclarecer que as grandes marcas como a Coca-Cola “devem ter uma visão ampla sobre as parceiras que fazem. Se algo não é muito benéfico para nós durante um evento, lidamos com isso da maneira certa e gerimos como a situação deve ser gerida”, frisou.

Em meados de junho, o capitão da seleção portuguesa  protagonizou um momento caricato, durante a antevisão do jogo entre Portugal e a Hungria. O internacional português afastou duas garrafas de Coca-Cola e colocou junto de si uma garrafa de água, dando a entender que tal era mais saudável. Nesse mesmo dia, as ações da empresa chegaram a cair 1,7% durante a sessão.

O gesto foi visto por milhões de pessoas em todo o mundo e replicado por um jogador da seleção francesa, que durante uma conferência de imprensa, também ela no âmbito do Euro 2020, afastou uma garrafa da Heineken. No entanto, ao contrário do que aconteceu com a Coca-Cola, as ações da empresa fecharam com uma subida de mais de 1%. Afinal o que aconteceu ao certo?

A realidade é que não é possível estabelecer um nexo de casualidade financeira, entre o gesto de Ronaldo e a desvalorização das ações da marca de refrigerantes, dado que, como explica o site Entrepreneur, a empresa entrou num período de distribuição de dividendos dois dias antes, o que implica sempre a perda de valor de cada título, já que do preço final de cada ação é retirada a fração que será encaminhada para os acionistas.

Quando a bolsa de valores abriu na Europa, cada ação da marca valia cerca de 46,28 euros, meia hora depois, e coincidentemente após o gesto de Ronaldo, passou a valer 45,55 euros. A realidade é que o capitão da seleção falou aos jornalistas, pouco depois da abertura da sessão, o que eleva ainda mais a possibilidade de tal não passar de uma coincidência.

No total, a empresa sofreu uma desvalorização de cerca de 199 mil milhões de euros e o valor desceu para cerca de 196 mil milhões, ou seja, uma diferença de três mil milhões de euros.

O relatório de contas apresentado hoje pela Coca-Cola são a prova de que Cristiano Ronaldo não prejudicou de todo as vendas da marca.

Os lucros líquidos da Coca-Cola aumentaram 48% no segundo trimestre de 2021, face ao período homólogo, para os  2,2 mil milhões de euros, de acordo com o relatório de contas enviado ao supervisor norte-americano e publicado hoje na página da marca.

A receita líquida cresceu 42%, para os 8,6 mil milhões de euros, e as receitas orgânicas aumentaram 37%. No documento publicado na página da Coca-Cola a empresa explica que “o crescimento da receita foi impulsionado pela recuperação contínua nos mercados, onde a incerteza sobre os efeitos económicos relacionados com a pandemia está a desaparecer”.

As receitas obtidas pelas vendas dispararam 26%, enquanto o dinheiro angariado com a variação de preço dos produtos aumentou 11%, face ao período homólogo.

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