O turismo mundial entrou em 2026 embalado por previsões de crescimento positivas, depois de ter atingido números recorde em 2025, mas a crise no Médio Oriente está a colocar nova pressão sobre o setor. Segundo uma análise da Crédito y Caución, o aumento dos custos dos combustíveis pode encarecer as tarifas aéreas, alterar padrões de procura e favorecer destinos mais próximos e acessíveis.
Em 2025, as chegadas internacionais aproximaram-se dos 1500 milhões, superando os níveis pré-pandemia pela primeira vez, enquanto a despesa global dos visitantes foi estimada em 1,9 biliões de dólares, cerca de 1,76 biliões de euros. A escalada da tensão no Médio Oriente ameaça agora remodelar esse cenário, sobretudo através do impacto nos custos da aviação.
Combustível pressiona companhias aéreas
A Crédito y Caución assinala que, para já, a situação deve ser entendida mais como uma crise de preços do que como uma perturbação física do fornecimento. Ainda assim, o impacto pode ser significativo, porque o combustível de aviação representa normalmente entre 25% e 30% dos custos operacionais das companhias aéreas.
Um aumento acentuado do combustível pode traduzir-se em margens mais apertadas, tarifas e sobretaxas mais elevadas, redução da cobertura de rotas menos lucrativas e maior otimização das frotas. O efeito é particularmente relevante porque o transporte aéreo representa cerca de dois terços dos movimentos turísticos internacionais em todo o mundo.
Destinos mais próximos podem ganhar peso
Perante a subida dos preços, os consumidores poderão privilegiar viagens de curta e média distância, sobretudo na Europa e na Ásia. A análise da seguradora de crédito aponta para uma redistribuição dos fluxos turísticos, com impacto diferente consoante os destinos e a duração do conflito.
No cenário base, a Crédito y Caución prevê que a procura turística na Europa cresça 8% e na Ásia 12%. Num cenário pessimista, marcado por uma guerra prolongada, esses crescimentos cairiam para 3% e 5%, respetivamente. A Europa concentra 52% das chegadas internacionais e a Ásia representa 22%, o que torna estas regiões particularmente relevantes na reorganização da procura.
Pressão chega a toda a cadeia turística
O impacto da crise não se limita às companhias aéreas. Operadores turísticos, intermediários de viagem, hotéis dependentes da procura de longa distância e fornecedores de transportes e serviços com custos fixos elevados podem enfrentar um ambiente mais exigente.
A análise da Crédito y Caución indica que o efeito será desigual. Os segmentos ligados a viagens de curta distância e turismo doméstico deverão mostrar maior resiliência, beneficiando da redistribuição da procura para opções mais próximas e, em muitos casos, mais económicas.
Risco de menor conectividade e preços mais altos
A situação atual não aponta para uma paragem abrupta do turismo mundial, mas expõe uma vulnerabilidade estrutural do setor: a dependência da aviação e dos custos energéticos. Se as restrições e a instabilidade persistirem, o turismo poderá enfrentar um período mais longo de menor conectividade, preços mais elevados e mudanças nos padrões de viagem.
Neste contexto, a proteção da saúde financeira das empresas torna-se uma prioridade. Entre as principais preocupações identificadas estão o aumento dos custos de produção e o impacto negativo nas margens de lucro, num setor ainda marcado por forte concorrência e grande sensibilidade ao preço.













