Crise/Inflação: UGT considera essencial mas tardio e insuficiente pacote de medidas

UGT regista, contudo, “positivamente os factos de a generalidade das medidas contribuírem para um alívio da tesouraria das famílias, de abrangerem uma classe média habitualmente excluída”

Executive Digest com Lusa

A UGT considerou hoje “essencial”, mas “tardio e claramente insuficiente” o pacote de medidas destinadas a atenuar os efeitos da inflação, no valor de 2,4 mil milhões de euros, anunciado na segunda-feira pelo primeiro-ministro.

“É um pacote essencial e bem-vindo, ainda que não possa deixar de ser considerado tardio e claramente insuficiente, algo que é tão mais evidente quando analisamos os conjuntos de medidas que foram sendo paulatinamente assumidos por outros países, mais precoces e mais intensos na sua intervenção”, lê-se num comunicado da confederação sindical, divulgado hoje.

A UGT regista, contudo, “positivamente os factos de a generalidade das medidas contribuírem para um alívio da tesouraria das famílias, de abrangerem uma classe média habitualmente excluída, de serem assumidas em áreas com peso significativo nessa tesouraria, e de, numa opção diferente da do passado, os apoios serem canalizados de forma direta para as pessoas”.

No entanto, a central sindical afirma que “não são isentas de crítica as medidas apresentadas” e argumenta que “muitas outras medidas são e serão necessárias no imediato e no futuro próximo e não tão próximo”, pelo que o conjunto de iniciativas conhecido esta semana “deve ser considerado tímido e conservador”, até porque algumas “não são integralmente novas”.

No que respeita às medidas assumidas para os reformados, aposentados e pensionistas, a UGT “não pode deixar de apresentar a sua mais profunda e veemente rejeição”.

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“Sob a capa de, em 2022 e 2023, garantir um valor nominal aos pensionistas idêntico ao que resultaria da aplicação da fórmula de actualização das pensões (o que é questionável que se verifique), o primeiro-ministro ignora a garantia dada por si próprio de cumprir a lei e aplicar a fórmula de actualização das pensões acordada em sede de concertação social em 2006, para tomar uma medida que não é mais do que uma diminuição efectiva do montante das pensões em 2024 e até ao final das suas vidas”, afirma a central.

“E isto sem sequer uma qualquer justificação cabal quanto aos potenciais impactos futuros da regular actualização das pensões nas contas da Segurança Social e na sua sustentabilidade e num cenário tão mais gravoso se considerarmos que não existe de facto sequer uma antecipação da actualização das pensões (aguardemos por 2023) e que o complemento de meia pensão, pago com o valor que já seria devido aos pensionistas, os exclui até do apoio pontual de 125 euros”, acrescenta.

No documeto, a UGT insta o Governo a adoptar medidas como a taxação dos lucros extraordinários e “injustificados das empresas, a eliminação de muitas taxas injustificadas ou o efectivo controle da fixação de preços, moralizando esta crise e dando novo ímpeto às famílias e à economia”.

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A central sindical defende ser “imperioso” voltar a aplicar medidas como a proibição do corte de acesso a serviços essenciais, a limitação de despejos de arrendatários ou o diferimento de pagamentos nos empréstimos para aquisição de habitação própria” e diz aguardar com expectativa o pacote de medidas para as empresas”.

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