Crise/Energia: “Nós intervimos já no mercado, não lhe chamamos é taxa”, garante Duarte Cordeiro

Ministro do Ambiente lembrou o mecanismo ibérico que limita o preço do gás utilizado para a produção de eletricidade, adotado para fazer face à escalada de preços, agravada pela guerra na Ucrânia

Executive Digest com Lusa

O ministro do Ambiente reiterou hoje que o Governo está a intervir no mercado de energia, apesar de não dar o nome de taxa sobre lucros extraordinários à medida, através de uma atuação na formação dos preços.

“Nós não precisamos de esperar que se forme lucro numa empresa para intervir, nós fazemo-lo no preço. […] Nós intervimos já no mercado, não lhe chamamos é taxa [sobre lucros extraordinários]”, afirmou Duarte Cordeiro, durante a participação numa conferência promovida pela CNN, sobre a transição energética. “Se é um fetiche em Portugal, chamemos-lhe taxa”, acrescentou.

O governante referia-se ao mecanismo ibérico que limita o preço do gás utilizado para a produção de eletricidade, adotado para fazer face à escalada de preços, agravada pela guerra na Ucrânia.

Na atual configuração do mercado europeu, o gás determina o preço global da eletricidade quando é utilizado, uma vez que todos os produtores recebem o mesmo preço pelo mesmo produto — a eletricidade — quando este entra na rede.

A Comissão Europeia vai propor um teto temporário de 180 euros por Megawatt-hora (MWh) para eletricidade produzida sem recorrer ao gás, mas a partir de fontes como renováveis e nuclear, prevendo cobrança das receitas acima deste limite.

Continue a ler após a publicidade

Em concreto, Bruxelas quer “um limite temporário de receitas para os produtores de eletricidade inframarginal, nomeadamente tecnologias com custos mais baixos, tais como as energias renováveis, nucleares e lignite, que fornecem eletricidade à rede a um custo inferior ao nível de preços fixado pelos produtores marginais mais caros”, que estão de momento a “obter receitas excecionais, com custos operacionais relativamente estáveis”.

Questionado sobre a posição do Governo relativamente à proposta europeia, Duarte Cordeiro disse que Portugal, “em princípio”, vai votar a favor, apesar de insistir que já está a atuar sobre os preços excessivos, antes de eles se formarem.

Já sobre a construção de um gasoduto que ligue a Península Ibérica ao resto da Europa, através dos Pirenéus (França é contra), o ministro do Ambiente defendeu que se trata de um investimento que deve ser discutido a nível europeu e que seria penalizador para Portugal assumir o financiamento.

Continue a ler após a publicidade

Em relação ao debate sobre a utilização de energia nuclear como forma de fazer face à escassez de gás, Duarte Cordeiro disse que o Governo não vê “vantagem nenhuma” naquela tecnologia e garantiu que Portugal está concentrado em aproveitar as suas características geográficas, como o sol e o mar, para a produção de energia.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.