Crise energética: Bruxelas quer limite de preços para gás russo importado mas admite ruturas

A Comissão Europeia quer um limite de preços para importações de gás por gasoduto da Rússia para a União Europeia (UE) para contornar os “valores extremamente elevados”, mas admite novas ruturas, para as quais os 27 “estão preparados”.

Executive Digest com Lusa

A Comissão Europeia quer um limite de preços para importações de gás por gasoduto da Rússia para a União Europeia (UE) para contornar os “valores extremamente elevados”, mas admite novas ruturas, para as quais os 27 “estão preparados”.

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A posição consta de um documento de trabalho que o executivo comunitário divulgou hoje e que será discutido no Conselho Extraordinário da Energia da próxima sexta-feira, no qual a instituição argumenta que, para a UE conseguir uma reduzida exposição ao gás russo, deveria considerar como “opção mais viável” impor um “limite de preços para as importações de gás por gasoduto”.

Para a Comissão Europeia, tal solução também permitirá contornar os “preços extremamente elevados do gás natural, [que] permitiram à Rússia manter as receitas apesar dos cortes deliberados nos volumes”, numa altura em que se registam fortes perturbações no abastecimento a alguns países da UE (principalmente a 13 Estados-membros) e em que se teme rutura total.

“O gás russo por gasoduto não pode ser facilmente desviado para países terceiros. Um limite de preço do gás russo por gasoduto permitiria a compra desse gás na medida em que o preço não excedesse um limiar preestabelecido. O limite de preço aplicar-se-ia no momento da importação, deixando a formação de preços para a venda de gás dentro do mercado interno inalterada”, explica a instituição no documento de trabalho, consultado pela Lusa.

De acordo com Bruxelas, uma fixação do limite de preços acima do custo marginal de produção poderia ajudar a assegurar o abastecimento e a baixar os preços.

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Embora admitindo que “a medida pode muito bem ser utilizada pela Rússia para justificar novas ruturas ao abrigo dos contratos existentes”, o executivo comunitário garante que, devido “à diversificação, poupança e armazenamento, e dada a última perturbação, a UE está agora melhor preparada para este cenário”.

Esta manhã, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou que a instituição quer impor um teto máximo para os lucros das empresas produtoras de eletricidade com baixos custos e uma “contribuição solidária” das empresas de combustíveis fósseis, assim como estabelecer um limite para a compra de gás russo.

Estas três medidas, que Bruxelas quer “imediatas”, fazem parte de um pacote de propostas anunciado hoje por Ursula von der Leyen com vista a “proteger consumidores e empresas vulneráveis”, quando famílias e empresas enfrentam “preços astronómicos de eletricidade” e se assiste a “uma enorme volatilidade do mercado”.

O pacote inclui ainda duas outras propostas: uma meta vinculativa para redução do consumo de eletricidade e a facilitação de apoio à liquidez por parte dos Estados-membros para as empresas de serviços energéticos que se confrontam com problemas devido a essa volatilidade do mercado.

As propostas foram apresentadas na antevéspera de um Conselho extraordinário de ministros da Energia, agendado para sexta-feira em Bruxelas, com vista à adoção de medidas ao nível comunitário para fazer face à subida galopante dos preços da energia na UE, agravada pela invasão da Ucrânia pela Rússia, que já entrou no sétimo mês.

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Bruxelas aponta no documento de trabalho que, no que toca ao gás por gasoduto, “fornecedores fiáveis como a Noruega têm maximizado os seus aprovisionamentos de gás à UE”.

No documento para discussão é também defendida uma aposta no gás natural liquefeito (GNL), para o qual, na visão do executivo comunitário, se deveria “negociar preços mais baixos e garantir o aprovisionamento, oferecendo uma perspetiva a longo prazo com uma transição gradual para fontes de energia renováveis, em particular o hidrogénio verde”.

As tensões geopolíticas devido à guerra da Ucrânia têm afetado o mercado energético europeu, já que a UE importa 90% do gás que consome, sendo a Rússia responsável por cerca de 45% dessas importações, em níveis variáveis entre os Estados-membros.

Em Portugal, o gás russo representou, em 2021, menos de 10% do total importado.

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