A agitação social está a crescer de tom na Bélgica devido à crise energética – os sindicatos mais representativos do país anunciaram esta sexta-feira greves e mobilizações em larga escala, revelou o jornal francês ‘Le Monde’. Thierry Bodson, presidente da Federação Geral do Trabalho da Bélgica (FGTB), um dos dois maiores sindicatos do país, está convencido disso: quando chegar o inverno e todos os consumidores receberem a sua fatura anual de regularização do consumo de gás e eletricidade, a revolta pode ressoar.
“Estamos no fim da linha, a situação é gravíssima”, revelou o sindicato, em comunicado. Com outras organizações, anunciou uma mobilização em meados de setembro e uma greve que deve paralisar o país em novembro. Resta saber qual é, atualmente, a real capacidade dos sindicatos de liderar uma população literalmente atordoada pela explosão dos preços da energia.
O impacto da crise energética, no entanto, vem ‘substituir’ as anteriores crises que testaram a população. “Ela experimentou o impacto dos choques da Covid-19 e, agora, da inflação, da guerra e dos preços em alta; ela tinha a esperança de um amanhã melhor e percebe que viu pior a situação de ontem”, revelou um sociólogo belga.
Nesta fase, os Governos federal e regional adotaram algumas medidas: redução do IVA sobre gás e eletricidade, extensão de uma tarifa social, redução de impostos sobre os combustíveis (embora um litro de gasóleo custe mais de 2 euros), acordo com o bancos para o adiamento do pagamento de empréstimos à habitação, proibição de despejo de inquilinos que não conseguem pagar a renda.
O preço da energia tornou-se ‘O’ assunto de todas as conversas no país e multiplicam-se os testemunhos de famílias em grandes dificuldades, reformados obrigados a recorrer aos centros públicos de ação social ou comerciantes divididos entre um aumento de preços destinado a compensar as suas despesas de energia ou o encerramento da sua atividade – os especialistas apontam que uma família média agora terá de pagar entre 6 mil e 10 euros anuais se mantiver o aquecimento ou iluminação como antes: as faturas aumentaram entre 200 e 300% em poucos meses, subindo até aos 500% para os maiores consumidores.






