Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, acredita que a Argélia é um fornecedor “confiável” de gás à Europa, numa altura em que a União Europeia procura novas fontes de abastecimento para substituir a energia oriunda da Rússia.
De visita oficial ao país norte-africano, onde se reuniu com o Presidente Abdelmadjid Tebboune, na capital Argel, Michel disse aos jornalistas que “dadas as circunstâncias internacionais que todos conhecemos, a cooperação energética é obviamente essencial”.
À Alger pour renforcer la coopération avec l’Union européenne.
Stabilité régionale et sécurité, énergie, commerce, prospérité sont nos objectifs communs.
@TebbouneAmadjid @AlgPresidency pic.twitter.com/02wpqOThQ4— Charles Michel (@CharlesMichel) September 5, 2022
O responsável europeu destaca que “vemos a Argélia como um parceiro confiável, leal e empenhado no campo da cooperação energética”. Assim, e sendo o maior exportador de gás africano, a Argélia deverá assim aumentar o volume de exportações para os países da UE.
Antes da guerra da Rússia contra a Ucrânia, a Argélia fornecia cerca de 11% do gás consumido no bloco europeu, face aos 47% enviados por Moscovo. De acordo com o ‘Middle Eastern Economic Survey’, o envio de gás da Argélia para a Europa caiu 18% no primeiro semestre de 2022, face ao mesmo período de 2021.
Contudo, a Europa está ciente do papel mais proeminente que o país norte-africano poderá desempenhar no suprimento das necessidades energéticas num contexto de corte total do abastecimento russo.
Ainda no mês passado, o Presidente francês Emmanuel Macron esteve em Argel, onde se encontrou com as autoridades argelinas com o fim de “diversificar” as fontes energéticas da Europa.
Apesar de a Argélia estar bem posicionada para mitigar parte das necessidades energéticas da União Europeia, alguns observadores consideram que a substituição do gás russo levará tempo, e que, até lá, os 27 Estados-membros devem encontrar soluções e ter um amplo leque de opções.
Recorde-se que ainda hoje o ministro russo da Energia, Nikolai Shulginov, alertou que é “altamente improvável” que a Europa consiga abandonar a sua dependência do gás russo até 2027. O responsável salientou que “dificilmente a Europa pode recorrer a alguém, exceto aos Estados Unidos, que estão a aumentar a produção de gás natural liquefeito”.







