Os relatos indicam que a situação piora a cada dia que passa e que Marrocos está, propositadamente a prolongar uma crise com Espanha, a arrastar-se há mais de um ano. Agora, e de forma a reiterarem as suas reivindicações sobre Ceuta e Mellila – dois enclaves que constituem território espanhol no norte de África – as autoridades marroquinas adotaram uma outra estratégia.
Segundo conta diário espanhol El Confidencial, o diretor da segurança nacional do país, Abdellatif Hammouchi, acaba de ordenar às esquadras de polícia instaladas às portas daquelas cidades para que retirem a palavra fronteira das suas placas. Ali onde se lia fronteira deve passar a ler-se apenas “‘Bab Ceuta’ e ‘Bab Melilla’ – sendo que ‘Bab’ significa ‘porta’ em árabe. Mas já não sinalizam a entrada em território espanhol.
Rabat quer assim, segundo a imprensa marroquina, recordar a Madrid que não reconhece esta divisão porque considera aquelas cidades como parte do seu país, apesar de estarem “ocupadas” por Espanha.
É verdade que, de momento, a medida não terá efeito prático, já que as fronteiras estão fechadas há mais de 22 meses, um encerramento prologado de um lado e do outro, previsto para expirar a 31 de Janeiro, embora seja provável que volte a dilatada no tempo. Tudo alegadamente por razões de saúde, mas a dúvida sobre isso há muito que se instalou.
Por exemplo, quando lhe foi conveniente, Marrocos autorizou a travessia a partir de Guerguerat, região que liga a zona do deserto à Mauritânia, há tempo reivindicada pelos rebeldes do Saara Ocidental. Além disso, as autoridades marroquinas também permitiram o regresso dos seus nacionais na Europa, a partir de portos de França ou Itália. Mas não pelos portos espanhóis, habitualmente utilizados até 2019.




