Crise de semicondutores chega à produção de camiões e deixa cadeias de abastecimento em xeque

A escassez global de semicondutores já chegou ao setor da produção de camiões, sobretudo dos de grande dimensão. De acordo com um estudo da ACT Research, citado pelo Wall Street Journal, no mês de julho, a produção nos EUA de veículos pesados classe 8 caiu para as 14.920 unidades fabricadas, o nível mais baixo, desde maio de 2020.

O estudo revela ainda que o número de encomendas atrasadas quase triplicou, face a junho  para as 262.100 unidades. Kenny Vieth, o presidente do ACT confessou ao Wall Street Journal que parte da produção “está paralisada devido à falta de componentes, como os semicondutores.

Vieth explicou ainda que muitas fabricantes estão a transferir semicondutores de camiões menores, para veículos de maior dimensão, de forma a garantir que conseguem responder à procura.

A General Motors, um dos grandes players do mercado, anunciou  na quinta-feira que iria interromper a produção em oito de  fábricas norte-americanas nas próximas duas semanas devido à falta de chips.

As cadeias de abastecimento parecem estar em risco. Para além dos camiões, nos últimos meses, as empresas de transporte marítimo têm enfrentado uma onda de escassez de contentores, que tem atrasado o cumprimento dos prazos nas entregas de mercadorias, sendo que nas últimas semanas o setor “deu de caras” com a falta dos próprios navios, especializados neste tipo de transporte, os chamados porta-contentores, avança o Financial Times (FT).

O setor alerta para o facto de, apesar de já terem sido encomendados vários navios, tudo levar a crer, que tendo em conta a procura em massa por novos porta-contentores, as empresas enfrentarão “anos tensos”, com falta de meios, para cumprir os prazos previstos.

Para Xavier Destriau, CFO do Zim de Israel, um dos maiores grupos de transporte marítimo do mundo, a escassez de navios é “uma grande ameaça”, para as empresas e para a sua segurança, já que muitos porta-contentores que deviam ter ido “para a sucata, continuam a operar, de forma a satisfazer a procura”.

“Estamos a sentir que nos próximos três, quatro, ou até mesmo cinco anos, a falta de navios vai afetar-nos  profundamente”. O alarme de Destriau foi ecoado por Ando Case, CEO da Clarksons, a maior consultora ligada ao transporte marítimo do mundo: “o número de estaleiros em todo o globo caiu em pelo menos dois terços desde 2007, para cerca de 115 instalações”.

Segundo Case, estes estaleiros são inundados por um dilúvio de encomendas, “tendo arrecadado um lucro sem precedentes, durante todo o ano de 2020 e o primeiro semestre de 2021”-

O executivo explicou, em entrevista ao FT,  que a procura por  mercadorias disparou partir do segundo semestre do ano passado.

Este problema é exatamente o oposto do que foi vivido na última década pelas empresas de transporte marítimo, cuja a rentabilidade, durante estes anos, definhou devido ao excesso de navios e à fraca procura pelos mesmos. Grandes companhias como a  Hanjin da Coreia do Sul foram obrigadas a restruturar-se.

Por outro lado, as empresas fogem à armação de porta contentores movidos a GNL, um combustível verde. Neste semestre,  segundo o FT, a Maersk evitou comprar este tipo de porta-contentores, argumentando que “ainda paira muita incerteza no mercado contra a regulamentação e o futuro tecnológico desta inovação”.

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