Diversos analistas na televisão russa apoiada pelo Kremlin discutiram a fome global causada pela guerra na Ucrânia, por entre avisos de que os “países hostis” à Rússia vão sofrer mais.
Há receios na comunidade internacional que os portos ucranianos do Mar Negro, bloqueados pela força naval russa, piorem a escassez global de alimentos, já que milhões de toneladas de grãos e outros produtos agrícolas do ‘celeiro da Europa’ não podem ser exportados.
No programa ’60 Minutes’, do canal Russia-1, o cientista político Dmitry Egorchenkov sublinhou que há uma “enorme competição deste mercado agora” e garantiu que a Rússia “fornece a sua própria comida e desenvolve mercados agrículos paralelos às histórias que os ocidentais contam que haverá fome global”.
“Aqueles que têm relações normais com a Rússia – nem mesmo amistosas, mas apenas normais – não passarão fome”, apontou Egorchenkov. “A essência disso: sim, haverá fome global, mas aqueles que têm boas relações com a Rússia não morrerão de fome.”
Na última terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, condenou a Rússia por atacar os silos de grãos da Ucrânia e pediu negociações para desbloquear cerca de 20 milhões de toneladas de exportações de trigo retidas na Ucrânia devido ao bloqueio russo. “Não pode ser do interesse da Rússia que por sua causa as pessoas estejam a morrer de fome no mundo”, avançou, acusando Moscovo de usar “a fome e os grãos para exercer o poder”.
I'm hearing this message on multiple programs broadcast by Russian state TV, it must be one of their mandatory assignments. The gist of it: yes, there will be global hunger, but those who have good relations with Russia won't starve. Primitive, cruel and callous Russian agitprop. pic.twitter.com/SH2uWpJzKs
— Julia Davis (@JuliaDavisNews) May 24, 2022













