Crianças entregues à porta, mais actividades no exterior e ar condicionado proibido: as recomendações da DGS para o pré-escolar

A Direção-Geral da Saúde (DGS) publicou esta sexta-feira um guia que inclui recomendações para evitar o contágio por Covid-19 nos estabelecimento de educação pré-escolar.

No documento, a DGS refere que «sem descurar as medidas excepcionais que a situação pandémica que vivemos exige, estas orientações têm como objectivo apoiar do ponto de vista pedagógico, as instituições, os profissionais e as famílias, bem como assegurar a protecção de todos». Apesar da recomendação actual de distanciamento físico, «não podemos perder de vista a importância das aprendizagens e do desenvolvimento das crianças, bem como a garantia do seu bem-estar e direito de brincar», reconhece.

No mesmo sentido, considera também que as interacções e as relações que as crianças estabelecem «são a base para a sua aprendizagem e desenvolvimento». «Toda a comunidade educativa – educadores de infância, directores, coordenadores e pessoal não docente – terá um papel essencial no sentido de garantir as condições necessárias para que as crianças possam frequentar a educação pré-escolar com o máximo de segurança».

Neste contexto, veja abaixo uma síntese das orientações da DGS:

1- Todas as instituições deverão rever e adaptar os seus planos de contingência Covid-19;

2- As crianças, bem como o pessoal docente e não docente, com sinais ou sintomas sugestivos de Covid-19 não se devem apresentar no estabelecimento de educação pré-escolar;

3- Deve proceder-se à gestão de resíduos diária, sem necessidade de proceder a tratamento especial;

4- Deverão ser disponibilizados equipamentos de protecção, nomeadamente máscaras, para todo o pessoal docente e não docente, assegurando que em nenhuma situação são colocadas máscaras às crianças;

5- Os espaços devem ter dispensador de solução antisséptica de base alcoólica à entrada;

6- As crianças devem ser entregues à porta do estabelecimento de educação pré-escolar pelo seu encarregado de educação, ou por pessoa por ele designada, e recebidas por um profissional destacado para o efeito, evitando assim a circulação de pessoas externas no interior do recinto;

7- Pessoas externas ao processo educativo (p. ex: fornecedores) só excepcionalmente podem entrar no estabelecimento de educação e, sempre, de forma segura, com máscara, evitando o contacto com as crianças;

8- Sempre que aplicável, devem ser assegurados especiais cuidados na troca de fraldas, com higienização das mãos dos profissionais e das crianças, bem como da bancada, antes e depois da muda de fralda;

9- Sempre que aplicável, as peças de roupa suja devem ir para casa em saco plástico, fechado;

10- Caso haja equipamentos de ar condicionado ou similares, estes nunca devem ser ligados em modo de recirculação do ar;

11- Antes da reabertura dos estabelecimentos, deve ser feita uma limpeza geral e desinfecção das instalações;

12- Privilegiar as actividades que decorram no exterior (pátios, logradouros, jardins), em regime rotativo dos grupos;

13- Deve ser maximizado o distanciamento físico entre as crianças quando estão em mesas, sem comprometer o normal funcionamento das actividades pedagógicas;

14- Deve ser privilegiada a utilização das salas ou espaços mais amplos e arejados;

15- Definir circuitos de circulação interna, permitindo uma melhor orientação espacial de crianças e adultos e, ao mesmo tempo, uma higienização mais eficaz do espaço e dos equipamentos;

16- As crianças devem trocar o calçado que levam de casa por outro apenas utilizado no espaço do jardim de infância. Este calçado extra permanece no estabelecimento de educação, devendo ser higienizado, todos os dias, após a saída da criança. Os profissionais deverão cumprir a mesma orientação;

17- Garantir a existência de material individual necessário para cada actividade;

18- Pedir aos encarregados de educação que não deixem as crianças levar de casa brinquedos ou outros objectos não necessários;

19- Não deve a criança permanecer no estabelecimento de educação por período superior ao estritamente necessário;

20- Nesta fase, devem-se cancelar festas e reuniões de encarregados de educação presenciais;

21- Durante o período de refeições, os lugares devem estar marcados.

Recorde-se que Portugal regista já 1.289 óbitos associados à Covid-19 em 30.200 casos confirmados de infecção, segundo o último boletim diário da DGS.

O país entrou no dia 3 de Maio em situação de calamidade devido à pandemia de Covid-19, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de Março. Esta nova fase prevê o confinamento obrigatório para pessoas doentes e em vigilância activa, o dever geral de recolhimento domiciliário e o uso obrigatório de máscaras ou viseiras em transportes públicos, serviços de atendimento ao público, escolas e estabelecimentos comerciais.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias “France-Presse”, a pandemia de Covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infectou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios. Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados pelas autoridades de saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detectado no final de Dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

 

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